Grevistas põem fogo no centro de Santos
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quinta-feira, 26 de novembro de 1998
Agência Folha 
Barricadas de fogo armadas por portuários em greve bloquearam na tarde de ontem vários cruzamentos no centro de Santos, litoral de São Paulo. Cento e vinte homens da Polícia Militar foram deslocados para o quadrilátero formado pelas ruas João Pessoa, Constituição, General Câmara e Conselheiro Nébias a fim de conter os manifestantes, a maioria estivadores.
Os grevistas atearam fogo em pneus de caminhão, madeira e troncos de árvores. Grossos rolos de fumaça negra podiam ser avistados de diferentes pontos do centro da cidade.
Os caminhões do Corpo de Bombeiros ficaram durante toda a tarde circulando pelo centro. À medida que apagavam os incêndios, os grevistas ateavam fogo novamente aos mesmos locais.
Os manifestantes cercavam os cruzamentos, a fim de impedir o acesso dos policiais militares, que tentavam remover as barricadas para desbloquear o trânsito. Somente a passagem dos bombeiros era permitida. Por volta das 15h, quase ocorreu um confronto na esquina das ruas João Pessoa e Constituição. Um cordão de 20 policiais militares armados e com escudos avançou para liberar o cruzamento, e os manifestantes passaram a atirar pedras.
O comandante da Polícia Militar na Baixada Santista, coronel Fernando de Paula Lima Júnior, comandou pessoalmente a operação no centro da cidade. No meio da confusão, ele chegou a levar um tombo e cair sobre o entulho das barricadas. Fomos agredidos, mas não tomamos nenhuma atitude de reação contra eles. Meus homens estão sob controle, declarou Lima Júnior, que informou não terem ocorrido prisões.
Ele classificou como anarquia a manifestação e disse que as lideranças sindicais não tinham controle sobre os grupos de grevistas que percorriam o centro, incendiando cruzamentos.
Elmir Almeida, diretor do Sindicato dos Estivadores, admitiu que a manifestação fugiu ao controle. A massa está muito revoltada, no desespero total, com medo de perder o emprego. Esse protesto não estava previsto. Foi totalmente espontâneo, disse.
O prédio do Ogmo de Santos foi mantido durante todo o dia de hoje sob proteção da Polícia Militar. No dia anterior, instalações e equipamentos da sede do órgão foram depredadas por um grupo de manifestantes que invadiu o prédio.
A greve no porto de Santos completou ontem dois dias. A movimentação de cargas foi totalmente paralisada - à exceção de dois navios que prescindiam da mão-de-obra por operarem com equipamento automático. Do total de 25 navios atracados, 18 tinham a operação paralisada. Outras cinco embarcações estão atracadas, mas não têm atividade operacional.
Segundo estimativa das empresas operadoras portuárias, o custo de cada navio parado é de US$ 10 mil a US$ 12 mil por dia. De acordo com a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), 120 mil toneladas de mercadorias, em média, deixam de ser movimentadas diariamente em razão da greve.


