Grevistas mudam alvo em Foz e tumultuam a aduana
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Edna Mendes 
A paralisação nacional dos funcionários da Receita Federal, que realizaram ontem o terceiro protesto para reivindicar melhores salários, deixou mais de 700 caminhões parados em Foz do Iguaçu sem a liberação das cargas. Durante todo o dia foi realizada uma operação-padrão (fiscalização minuciosa) na Estação Aduaneira de Fronteira (EAF), onde todos as cargas foram vistoriadas. A Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, não foi atingida ontem.
Além da EAF, a Ponte Tancredo Neves (sobre o Rio Iguaçu que liga Brasil à Argentina) e Aeroporto Internacional também foram alvo da operação-padrão. A Delegacia da Receita Federal, Delegacia de Julgamento e Agência de Medianeira e inspetorias de Guaíra e Santa Helena ficaram paralisadas durante todo o dia. O protesto continua hoje.
Segundo o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, em Foz do Iguaçu, Carlos André Davila,
a estratégia de deixar a Ponte da Amizade fora do protesto e intensificar as ações na EAF visa atingir empresários e autoridades. A nossa intenção na demora da liberação dos caminhões é causar maior impacto. O governo precisa se conscientizar que somos uma categoria importante e que precisamos de melhor tratamento, disse. Na semana que vem, de quarta a sexta-feira, devem acontecer novas paralisações.
O caminhoneiro Ivo Machado, de Santa Rita, no Paraguai, reclama que está parado com seu caminhão carregado de calcário há cinco dias. Nós não somos contra os protestos dos funcionários da Receita, mas não podemos pagar por isso. Também estamos tendo prejuízos por estarmos parados aqui, disse. Segundo informações da Receita Federal, apenas as cargas perecíveis estão sendo liberadas com mais rapidez.
Os técnicos e auditores da Receita Federal estão exigindo reposição salarial de 54,09%, além de 28,86% de reajuste concedido pelo governo a algumas categorias de servidores federais; implantação de um plano de carreiras e salários e ainda recursos para equipar alguns setores do órgão.


