Greve traz argentinos ao Brasil
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sábado, 25 de novembro de 2000
Alexandre PalmarEnviado a Puerto Iguazú 
Cerca de 400 motoristas argentinos que moram em Puerto Iguazú (fronteira com Foz do Iguaçu) aproveitaram a greve geral de ontem para visitar e fazer compras na cidade brasileira. Trabalhadores, estudantes e famílias cruzaram a Ponte Tancredo Neves, que liga o Brasil ao país vizinho, formando fila na aduana, normalmente sem grande movimento. O mesmo problema ocorreu no sentido inverso.
O congestionamento foi criado por causa da adesão de quase metade dos funcionários da aduana. Dos 18 fiscais da repartição, somente oito trabalharam, informou o chefe da aduana, Carlos Arribillaga. Segundo ele, além de fiscalizar os documentos dos passageiros de carros de passeios, os agentes precisaram cuidar dos ônibus de turismo, de transporte coletivo, e das dezenas de caminhões com mercadorias exportadas e importadas. O trânsito foi normalizado após o meio-dia.
O pecuarista Carlos Hoffmann Beck, 42 anos, era um dos motoristas na fila. Humorado, contou que iria fazer compras num supermercado iguaçuense por causa dos preços atrativos dos produtos brasileiros. Questionado sobre a situação no país, criticou o ex-presidente Carlos Menen, a quem acusou de ter vendido todas as empresas do governo para países da Europa, além de considerá-lo culpado pelo desmonte do Estado, que gerou milhões de desempregados.
O cunhado de Beck, Teodoro Bern, 27 anos, conta ter concluído o curso de arquitetura para nada. Vou viajar para Espanha e tentar um emprego. O arquiteto conta que quando tirou o passaporte no Ministério do Interior encontrou entre 300 e 400 pessoas, que também pretendiam sair do país em busca de emprego.
A greve não recebeu grande adesão no comércio do centro Puerto Iguazú. Em contrapartida, estudantes de escolas públicas ficaram sem aulas. Os servidores da prefeitura também aderiram ao movimento grevista.


