O segundo dia da greve nacional dos bancários foi marcada, em Londrina, por protestos e tumulto na agência do Banco Bradesco do Calçadão (Centro). O atrito começou quando a gerência do banco decidiu abrir uma porta de vidro na entrada da agência, que usualmente permanece fechada.
Os grevistas reagiram promovendo um apitaço ensurdecedor dentro da agência, que tornava quase insuportável a permanência no local. Galões de água fizeram as vezes de tambor. Os manifestantes também entoaram canções e gritos denunciando ''regime de escravidão'' e ''assédio moral''. Uma funcionária, que não forneceu o nome à reportagem, contou que uma colega foi empurrada pelo gerente-geral na porta do elevador do banco.
O aposentado Gracindo Rodrigues da Silva, 66 anos, passava pelo Calçadão no momento do protesto e resolveu aderir. Cantor de forró, ele tocou um triângulo junto com os grevistas. ''Sou favorável à greve. O País está falido e os banqueiros ainda querem roubar o salário dos pobres'', desabafou, afirmando que se recusa a movimentar seu dinheiro nos bancos.
''O Bradesco radicalizou. Esta porta sempre ficou trancada, sua abertura foi um desrespeito e uma forma de coerção aos bancários. Além disso, eles estão colocando em risco a segurança do banco e dos clientes'', criticou o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e região, Geraldo Fausto dos Santos. Para ele, a atitude foi injustificável, uma vez que o movimento mantém um contingente mínimo de funcionários trabalhando e permite o acesso aos caixas eletrônicos.
A Polícia Militar (PM) foi chamada e tentou intermediar um diálogo. Cerca de uma hora após o início do protesto, a gerência cedeu e fechou a entrada da agência. A manifestação prosseguiu do lado de fora.
Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, ligada à CUT, ontem cerca de 185 mil bancários de todo o País cruzaram os braços em 24 Estados e no Distrito Federal. Esse número corresponde a 46,2% do total de pessoas que trabalham nos bancos.

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