Os trabalhadores da Petrobras fizeram ontem uma greve de 24 horas, nas três unidades no Paraná e em mais 12 estados, em protesto contra a venda de ativos e a redução de investimentos da estatal. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e de Santa Catarina (Sindipetro), as mudanças no plano de gestão já resultaram na perda de mais de 50 mil empregos no País e é preciso evitar o enfraquecimento financeiro da maior companhia nacional, mesmo com a crise causada pela Operação Lava Jato.
Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), em São Mateus do Sul, e no terminal aquaviário da Transpetro, em Paranaguá, os trabalhadores que entrariam no turno a partir da zero hora de ontem fizeram piquetes. Assim, conforme o Sindipetro, a empresa manteve parte dos funcionários em escala dobrada de jornada, para evitar perdas maiores na produção. Foram 3 mil funcionários da Petrobras parados, ou 80% do quadro no Estado, sem contar os terceirizados.
Em nota, a Petrobras informou que houve registro de bloqueios na entrada dos empregados, o que gerou atrasos, assim como corte de rendição de turno. Porém, a empresa negou prejuízo à produção ou à segurança. "A Petrobras tomou todas as medidas para garantir a manutenção da produção de petróleo e gás, bem como o abastecimento do mercado", citou, em nota.
Na manhã de ontem, 50% dos trabalhadores terceirizados, ou mil pessoas, que trabalhavam nas obras de parada de manutenção da Repar também cruzaram os braços. Segundo o Sindipetro, o trabalho de limpeza e correção de problemas na unidade dura 30 dias e foi prejudicado ontem.

Pauta política


A categoria deixou em segundo plano todas as demandas salariais no protesto de ontem. A assessoria do Sindipetro informou que os petroleiros exigem que a diretoria da empresa se pronuncie como contrária ao projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP), que tira a necessidade de a Petrobras de participar da partilha na exploração do pré-sal. Ainda, pede a revisão do Plano de Negócios e Gestão (PGN) 2015/2019, que prevê corte de US$ 89 bilhões em investimentos e venda de US$ 57 bilhões em ativos. O movimento conta com adesão de outras categorias, como metalúrgicos prejudicados pelos cortes, estudantes e movimentos sociais, como o Sem Terra (MST).
Conforme o Sindipetro, "os escândalos de corrupção devem ser investigados a fundo, mas a empresa não pode parar, porque significaria uma ‘privatização branca’, por ameaçar a sobrevivência da empresa como estatal". A categoria entende que a Petrobras é o motor do País, por representar 13% do Produto Interno Bruto (PIB) anual.

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