Greve paralisa Porto de Paranaguá
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Andréa Bertoldi<BR>Reportagem Local 
Curitiba - O governo e representantes dos trabalhadores do setor portuário fecharam um acordo ontem para suspender as greves nos portos do País até o próximo dia 15 de março, período em que serão negociadas alterações na Medida Provisória (MP) 595/2012, que estabelece novo marco regulatório para o setor. Em Paranaguá, a paralisação envolveu cerca de 900 trabalhadores de todas as sete categorias sindicais durante o turno da manhã. A partir das 13 horas, as operações no porto paranaense foram normalizadas. Ontem, 36 portos em 12 estados e 30 mil funcionários participaram da paralisação no País. A estimativa da União é de um prejuízo de R$ 66,7 milhões por cada dia de greve no Brasil.
Segundo os trabalhadores, as mudanças na MP permitiriam uma abertura de mercado a novos profissionais não cadastrados no Órgão Gestor de Mão de Obra de Paranaguá (Ogmo), o que traria prejuízos salariais para a categoria. De acordo com o ministro da Secretaria Especial de Portos, Leônidas Cristino, o governo concordou em suspender licitações dos portos até a data acordada com os trabalhadores, apesar de garantir que não havia licitações previstas até lá. No entanto, Cristino disse que os estudos para o início desse processo estão mantidos.
O ministro não descartou mudanças no texto da MP. "Não temos a intenção de mudar a essência do texto, mas estamos abertos à negociação", disse. Com o acordo, está suspensa a paralisação prevista para a próxima terça-feira, conforme estratégia que havia sido aprovada pelos trabalhadores para pressionar o governo.
Em Paranaguá, foram cerca de 400 trabalhadores portuários avulsos (TPAs) e mais 500 funcionários do próprio porto que pararam ontem. A greve aconteceu mesmo com a liminar concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) que impedia o movimento.
De acordo com informações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), a paralisação dos trabalhadores impossibilitou a operação de 16 navios, ontem de manhã. A administração portuária não tinha um levantamento de prejuízos e nem de cargas que deixaram de ser operadas durante o movimento. A FOLHA também procurou o Sindicato dos Operadores Portuários para apurar as perdas, mas não teve retorno até o fechamento desta edição. Somente um navio de granel líquido, que não depende de mão de obra, operou normalmente. Os trabalhadores foram requisitados, entraram no porto, mas não assumiram as suas funções.
Nos terminais privados, as estruturas de recepção de caminhões e vagões funcionaram normalmente durante a manhã. No recebimento de granéis do corredor de exportação houve paralisação. A manifestação foi pacífica. Não ocorreram aglomerações em função do protesto. Os trabalhadores apenas colocaram faixas no porto como forma se mostrarem contrários à MP.
O secretário do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá, Oziel dos Santos Souza, contou que a categoria teve cerca de 300 trabalhadores que cruzaram os braços ontem. Os estivadores ficaram parados dentro dos navios sem realizar as suas atividades. O tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Portuários (Sintraport), José Gastão dos Santos, contou que ontem não ocorreram piquetes nem vandalismo no porto. (Com agências)


