Greve paralisa exportação de frangos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As exportações de frangos estão paralisadas desde domingo em função da greve dos fiscais agropecuários, que entra hoje no terceiro dia. Só a empresa Big Frango, de Rolândia, deixou de exportar 300 toneladas de carne nos últimos três dias. O temor da indústria é a perda dos contratos internacionais por falta da entrega da mercadoria.
O Sindicato das Empresas Abatedouras de Aves do Paraná (Sindiavipar) tentou pegar carona como ''litisconsorte'' no processo do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), que resultou na concessão de liminar favorável por parte da 8 Vara Federal de Curitiba (veja nesta página). Como o processo estava em andamento, a juíza Vera Lúcia Feil Ponciano, não aceitou o pedido. O Sindiavipar entrou com um mandado de segurança ontem e espera uma sentença favorável para hoje.
Os efeitos da greve dos fiscais agropecuários prejudicaram ainda mais o embarque e desembarque de mercadorias. Em Foz do Iguaçu, havia 350 caminhões parados na fronteira por falta do certificado de sanidade para exportação e importação.
A direção da Associação dos Fiscais Agropecuários vinculou a fila de navios e de caminhões no Porto de Paranaguá ao movimento grevista. De acordo com a assessoria do porto, a greve dos fiscais deve agravar um problema já existente.
No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, os fiscais optaram por fazer a operação padrão. Com isso, todas as pessoas oriundas de vôos internacionais tiveram que passar pelo crivo da fiscalização, que normalmente ocorre por amostragem.
Nos frigoríficos, as câmaras frigoríficas estão lotadas. Apesar da liminar, concedida pela Justiça, que autoriza a contratação de médicos veterinários para emitir o certificado de liberação das cargas, há o temor do comprador não aceitar as cargas, informou o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários, Hugo Caruso. Segundo ele, não será de se surpreender que daqui 20 dias comece a voltar cargas exportadas que foram rejeitadas por falta da emissão de certificado de sanidade para exportação emitido pelo governo brasileiro. Os fiscais estão reivindicando a equiparação salarial com fiscais da Previdência, Receita Federal e do Trabalho, que implica em aumentos acima de 100%.


