Greve pára portos do País por 48 horas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de abril de 1997
Agência Estado de Santos 
Otávio Magalhães/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ImpasseGreve de portuários paralisa os trabalhos no cais do Porto do Rio: os navios estão atracados. A movimentação na porta da Cosipa ontem foi tranquila, sem registro de acidentes. Os avulsos passaram o dia à espera dos resultados das negociaçõesA Confederação Nacional dos Estivadores (CNE) confirmou a greve nacional dos portos, por 48 horas, a partir de hoje. Segundo o presidente da entidade, Abelardo Wickman Fernandes, a paralisação foi decretada em defesa da aplicação das leis que regulamentam a operação portuária no País. A única condição estabelecida para a categoria suspender o movimento era a volta ao trabalho dos estivadores de Santos. Esse assunto foi discutido em assembléia realizada ontem à noite, em frente à Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa).
Hoje a greve dos estivadores de Santos entra em seu quarto dia, e ontem apenas dois navios movimentavam líquidos a granel no cais da Alemoa e outro no terminal da Cosipa. Já o protesto dos trabalhadores avulsos entra hoje em seu 17º dia. Ontem a movimentação na porta da Cosipa foi tranquila, não tendo sido registrados incidentes. Os avulsos passaram o dia esperando o resultado das negociações realizadas em Guarujá, sobre um acordo de coletivo de trabalho.
Segundo o presidente da CNE, os trabalhadores querem evitar que a Cosipa crie jurisprudência com aquilo que não está previsto na legislação. Ele refere-se à portaria 93/94, do Ministério dos Transportes, que contraria a lei de modernização portuária e a determinação 1574, da OIT. O dirigente informa que a resolução da OIT não faz distinção entre porto público e privado e determina a contratação de trabalhadores registrados para o trabalho a bordo. Já a lei dos portos determina a requisição dos trabalhadores avulsos junto ao Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo).
A Cosipa não concorda e recorreu à Justiça para operar seu terminal privativo com mão-de-obra própria, marcando o dia 2 de abril para iniciar esse trabalho. Os trabalhadores não aceitaram, iniciando o movimento. Ontem havia 16 navios atracados no cais da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e quatro nos privativos, incluindo o Vancouver, que continua operando na Cosipa. Outras duas embarcações, com líquidos a granel operaram na Alemoa. Na barra, são 21 os navios que aguardam ordem de atracação. A Codesp havia deixado de arrecadar até anteontem R$ 3,6 milhões e 282 mil toneladas de carga deixaram de ser movimentadas.
Ontem não houve pedido de atracação e seis navios com destino ao terminal privativo da Cosipa ainda estavam na barra.


