Curitiba - Os 2,5 mil trabalhadores da Audi-Volkswagen, da fábrica de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, cruzaram os braços ontem. Eles entraram em greve por tempo indeterminado para reivindicar, pela primeira vez, o pagamento de um valor mais alto da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa e também vincular a manutenção do banco de horas à redução da jornada de trabalho de 42 para 40 horas semanais.
Com a paralisação, a Audi-Volks deixou de produzir 400 carros das marcas Golf, Audi A3 e Fox. A empresa reconheceu a adesão maciça dos trabalhadores, salientando que ficaram em atividade somente os serviços essenciais de manutenção da fábrica. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa disse que está aberta a negociações.
A empresa ainda tentou uma última reunião com os trabalhadores no sábado para evitar a greve, mas os trabalhadores entenderam que não houve avanço na proposta da empresa. A Audi-Volks está oferecendo uma PLR de R$ 2,7 mil este ano e os trabalhadores querem R$ 3,2 mil, inclusive para os trabalhadores afastados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que são aproximadamente 10% da força de trabalho dos funcionários da fábrica.
De acordo com o coordenador da Comissão de Fábrica, Jamil D'Avila, o ritmo de trabalho dentro da fábrica está muito intenso, sendo que os funcionários têm apenas dois minutos e meio para executar sua tarefa no ciclo de montagem de um carro. Do começo da montagem até o fim, a cada dois minutos e meio sai um carro pronto, sendo que a frequência e repetitividade dos movimentos vêm provocando um índice alto de trabalhadores afastados por Lesões de Esforço Repetitivo (LER).
D'Avila disse ainda que o cumprimento do banco de horas este ano vem desgastando muito os trabalhadores da montadora. Eles ficaram devendo 15 horas de serviço do ano passado e este ano com o aumento da produção, a empresa ampliou o horário de trabalho em uma hora a mais por dia e também aos sábados. ''Como o serviço é muito repetitivo, eles não estão aguentando'', disse o sindicalista.
Ainda faltam oito dias para saldar a dívida do banco de horas e os trabalhadores não querem mais esse mecanismo porque acreditam que eles estão assumindo parte dos riscos da atividade econômica, que é de exclusividade da empresa. ''Por isso que os trabalhadores querem um PLR maior'', acrescentou.
Para D'Avila, a montadora está vendendo bem seus veículos tanto no mercado interno como externo, daí a justificativa para o aumento de produção. De acordo com o sindicalista, já tem fila para comprar um veículo Fox e a montadora pede até 60 dias para entregar o carro. Os trabalhadores querem manter o emprego, mas também querem melhorar a renda e as condições de trabalho.

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