Os metalúrgicos das montadoras de veículos do Estado de São Paulo – cerca de 60 mil – entraram em greve ontem por tempo indeterminado. Com a paralisação, entre 4.000 e 5.000 carros deixam de ser fabricados por dia. Resultado: os patrões resolveram entrar na Justiça para que decida o reajuste e outros benefícios. Isto é, quem vai resolver o impasse é um juiz. A última vez que a indústria usou o recurso foi em 76.
Eles querem resolver a pendenga no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), assim como os fabricantes de autopeças. O Sindipeças, sindicato que representa as empresas do setor, entrou com uma ação contra a CUT no tribunal. Em audiência realizada ontem, não houve avanço nas conversas. A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT julga o caso na quinta-feira.
A audiência marcada entre as montadoras e as centrais sindicais, também para ontem à tarde no TRT, não deu resultado. Foi suspensa porque não houve tempo de todos os envolvidos serem chamados. Será retomada hoje. Ainda existe a possibilidade de novas paralisações em companhias de outras áreas, como eletroeletrônica, telecomunicações e têxteis, sobretudo no interior de São Paulo.
A crise entre fabricantes de automóveis e trabalhadores já foi instaurada. O Sinfavea, sindicato que representa as montadoras, voltou a afirmar que nem questiona a hipótese de dar aumento superior a 6,5% aos empregados do setor. ‘‘Não temos tempo a perder. Fomos surpreendidos pela greve’’, disse José Carlos Pinheiro Neto, presidente do Sinfavea e da Anfavea.
Para ele, a reivindicação de reajuste salarial de 10% dos metalúrgicos é ‘‘inviável’’. Segundo ele, a chegada dos newcomers (montadoras recém-instaladas no País) e a instalação de fábricas em outros Estados aumentou a competitividade no setor. ‘‘A montadora instalada no ABC é mais cara do que a que está em outros Estados’’, ressaltou. De acordo com o executivo, o custo salarial de uma empresa instalada em Minas Gerais, por exemplo, equivale a 65% do custo no ABC. Ele informou que o salário médio na região é de R$ 1,7 mil e o mínimo é de R$ 900.
O presidente da Anfavea e Sinfavea informou que as montadoras concederam aumento salarial de 34% entre os anos de 1996 e 1999, além de participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a 1,7 salário por ano. ‘‘Nesse período, a maioria absoluta da população teve reajuste zero’’, observou. Ele confirmou que a paralisação atinge toda a produção da indústria paulista.
Houve avanço nas negociações dos petroleiros com a Petrobras, mas sem acordo ainda. A estatal ofereceu aos empregados um aumento de 7,8% aos trabalhadores da ativa, cerca de 37 mil, e 9,18% para os 42 mil aposentados. A greve, marcada para começar ontem e terminar na sexta-feira, foi suspensa. Os petroleiros queriam mais. Pediam reajuste de 9,21% – correspondente à inflação do Dieese – além de 13,85% de aumento real, mas a empresa não aceitou a idéia e chegou a oferecer 5%.
Os bancários de São Paulo, reunidos ontem à noite em assembléia, aceitaram a proposta de reajuste salarial de 7,2% apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na sexta-feira passada. Com essa decisão, eles deram por encerrada a campanha salarial deste ano, que se arrastava havia dois meses, e suspenderam a greve por indeterminado que estava marcada para começar hoje. O único ponto não decidido no acordo salarial proposto pela Fenaban é o que trata da suspensão do Adicional por Tempo de Serviço (ATS). Hoje, os bancários recebem R$ 8,50 mensais de ATS, depois de completarem um ano no emprego. A cada novo ano este valor dobra.

mockup