Greve pára 60 mil metalúrgicos em SP
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terça-feira, 14 de novembro de 2000
Das agências De São Paulo 
Os metalúrgicos das montadoras de veículos do Estado de São Paulo cerca de 60 mil entraram em greve ontem por tempo indeterminado. Com a paralisação, entre 4.000 e 5.000 carros deixam de ser fabricados por dia. Resultado: os patrões resolveram entrar na Justiça para que decida o reajuste e outros benefícios. Isto é, quem vai resolver o impasse é um juiz. A última vez que a indústria usou o recurso foi em 76.
Eles querem resolver a pendenga no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), assim como os fabricantes de autopeças. O Sindipeças, sindicato que representa as empresas do setor, entrou com uma ação contra a CUT no tribunal. Em audiência realizada ontem, não houve avanço nas conversas. A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT julga o caso na quinta-feira.
A audiência marcada entre as montadoras e as centrais sindicais, também para ontem à tarde no TRT, não deu resultado. Foi suspensa porque não houve tempo de todos os envolvidos serem chamados. Será retomada hoje. Ainda existe a possibilidade de novas paralisações em companhias de outras áreas, como eletroeletrônica, telecomunicações e têxteis, sobretudo no interior de São Paulo.
A crise entre fabricantes de automóveis e trabalhadores já foi instaurada. O Sinfavea, sindicato que representa as montadoras, voltou a afirmar que nem questiona a hipótese de dar aumento superior a 6,5% aos empregados do setor. Não temos tempo a perder. Fomos surpreendidos pela greve, disse José Carlos Pinheiro Neto, presidente do Sinfavea e da Anfavea.
Para ele, a reivindicação de reajuste salarial de 10% dos metalúrgicos é inviável. Segundo ele, a chegada dos newcomers (montadoras recém-instaladas no País) e a instalação de fábricas em outros Estados aumentou a competitividade no setor. A montadora instalada no ABC é mais cara do que a que está em outros Estados, ressaltou. De acordo com o executivo, o custo salarial de uma empresa instalada em Minas Gerais, por exemplo, equivale a 65% do custo no ABC. Ele informou que o salário médio na região é de R$ 1,7 mil e o mínimo é de R$ 900.
O presidente da Anfavea e Sinfavea informou que as montadoras concederam aumento salarial de 34% entre os anos de 1996 e 1999, além de participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a 1,7 salário por ano. Nesse período, a maioria absoluta da população teve reajuste zero, observou. Ele confirmou que a paralisação atinge toda a produção da indústria paulista.
Houve avanço nas negociações dos petroleiros com a Petrobras, mas sem acordo ainda. A estatal ofereceu aos empregados um aumento de 7,8% aos trabalhadores da ativa, cerca de 37 mil, e 9,18% para os 42 mil aposentados. A greve, marcada para começar ontem e terminar na sexta-feira, foi suspensa. Os petroleiros queriam mais. Pediam reajuste de 9,21% correspondente à inflação do Dieese além de 13,85% de aumento real, mas a empresa não aceitou a idéia e chegou a oferecer 5%.
Os bancários de São Paulo, reunidos ontem à noite em assembléia, aceitaram a proposta de reajuste salarial de 7,2% apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na sexta-feira passada. Com essa decisão, eles deram por encerrada a campanha salarial deste ano, que se arrastava havia dois meses, e suspenderam a greve por indeterminado que estava marcada para começar hoje. O único ponto não decidido no acordo salarial proposto pela Fenaban é o que trata da suspensão do Adicional por Tempo de Serviço (ATS). Hoje, os bancários recebem R$ 8,50 mensais de ATS, depois de completarem um ano no emprego. A cada novo ano este valor dobra.


