Greve no Ibama pára US$ 12 mi em processos
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 12 milhões de dólares em processos de exportação de produtos e subprodutos florestais (madeiras e derivados) estão parados por dia no escritório regional do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Renováveis (Ibama) em Paranaguá por causa da greve dos servidores. O escritório movimenta por volta de 100 processos por dia e desde o início da greve, no último dia 29 de setembro, apenas oito exportadores conseguiram liminares na Justiça para liberar seus produtos. No Paraná, segundo a superintendência estadual do Ibama, 150 dos 190 funcionários estão parados. Entre eles, todos que fazem as fiscalizações.
O chefe do escritório regional do Ibama em Paranaguá, Lício Domit, informou que por enquanto ele mesmo está fazendo a fiscalização e cumprindo as decisões liminares. Os outros sete funcionários dos escritório, seis deles fiscais, estão parados. ''A Justiça já foi avisada que a fiscalização está sendo feita na medida do possível. Se a greve continuar e as liminares também continuarem chegando pode se tornar inviável o trabalho'', afirmou. Quanto às importações, Domit disse que o principal produto que entra por Paranaguá que precisa de fiscalização são pneus. A liberação é feita por Brasília e também está parada.
Os servidores estão cobrando do governo federal o cumprimento de um acordo firmado há um ano. Segundo o presidente da Associação dos Servidores do Ibama (Asibama), Jonas Moraes Corrêa, ano passado foi prometido aos servidores o enquadramento dos inativos, pensionistas e aposentados no plano de carreira dos especialistas em meio ambiente e também uma gratificação que já foi concedida aos funcionários da Agência Nacional das Águas. ''Estamos aguardando que o Ministério do Planejamento nos chame para apresentar uma proposta. Esperávamos que isso acontecesse hoje (ontem), como foi combinado na semana passada, mas até agora nada'', afirmou.
O superintendente do Ibama no Paraná, Marino Gonçalves, afirmou que todas as fiscalizações, inclusive de denúncias de crimes ambientais, estão paradas no Estado. Gonçalves acredita que o governo federal pode chegar a um acordo com os servidores ainda essa semana. Mas, mesmo assim, ele deve estar se reunindo amanhã com o comando de greve no Paraná para pedir que se mantenha o número mínimo de servidores trabalhando. ''Entendemos e achamos justas as reivindicações. Porém, precisamos da ajuda dos servidores para que não se pare atividades fundamentais.''


