Carmem Murara
De Curitiba
O Sindipeças – sindicato que representa as fornecedoras de autopeças para as montadoras, entrou ontem na Justiça do Trabalho com pedido para romper as negociações com os metalúrgicos que trabalham para as fornecedoras da Volkswagen/Audi, em São José dos Pinhais. A intenção é partir para o julgamento de dissídio coletivo. A iniciativa foi tomada após a sexta rodada de negociações, ocorrida na quinta-feira, em que as duas partes não chegaram a um acordo. Os metalúrgicos deixaram a reunião decididos a manter a greve nas 12 fornecedoras da Audi.
A paralisação entra hoje em seu terceiro dia consecutivo e obriga a montadora a interromper completamente a sua produção dos carros Audi A3 e Golf. A Audi tem programado uma fabricação diária de 250 carros, mas está sem peças para manter a linha de produção. Muitos funcionários estão dispensados do trabalho, enquanto outras equipes ocupam o tempo fazendo a manutenção das máquinas.
Durante todo o dia de ontem, um grupo de metalúrgicas que trabalha nas fornecedoras ficou em frente aos portões da montadora. Policiais militares permaneceram todo o tempo no local, mas a manifestação foi pacífica. As 12 fábricas, que estão paradas, ficam dentro do terreno, onde está instalada a Audi. Elas são idenficadas como as indústria que integram o ‘‘condomínio’’ da montadora.
O impasse entre trabalhadores e empresas tem origem na questão salarial. Os metalúrgicos queriam reposição de 8,15% mais abono de R$ 600 e um piso de R$ 400 para quem inicia a carreira. O Sindipeças propôs um reajuste de 6% e R$ 350 de piso salarial, além de pagar os R$ 40 referente à contribuição sindical.
Não houve acordo, o que irritou as fornecedoras. ‘‘Essa greve é absurda e estamos diante de um sindicalismo arcaico que não traz avanços para ninguém’’, protestou o diretor-presidente do Sindipeças no Paraná, Benedito Kubrusly. Ele afirmou que seria impossível dar aos trabalhadores das fornecedoras o mesmo reajuste que foi dado nas montadoras.
Kubrusly disse que a folha de pagamento para uma montadora tem um peso entre 7% e 10% das despesas, enquanto nas montadoras o comprometimento salta para 30%. ‘‘O produto das montadoras tem um valor agregado mais alto do que os produtos das fornecedoras’’, justificou.

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