Cerca de 4,5 milhões de trabalhadores devem entrar em greve a partir da próxima terça-feira, dia 7. A previsão, feita ontem pelos presidentes da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e da CUT, João Felício, abrange 26 categorias que compreendem os 4,5 milhões de trabalhadores com data-base neste semestre, entre elas metalúrgicos, bancários, petroleiros, químicos e funcionários da Febem. A campanha salarial unificada reivindica aumento de 20% e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
‘‘Sem aumento real vamos para a greve, é inevitável’’, disse Paulinho, após entregar o comunicado oficial das centrais, alertando a direção da Fiesp sobre a possibilidade da greve. ‘‘Não mandamos um pedido oficial, mas ele sabia que viríamos. Infelizmente ele não está aqui para nos receber’’, disse Paulinho, referindo-se ao presidente da entidade Horácio Lafer Piva.
Cerca de 1,5 mil manifestantes fizeram concentração em frente à sede da Fiesp, na Avenida Paulista. Uma comissão formada por sete sindicalistas foi recebida por Cláudio Vaz, diretor-executivo da entidade e braço direito de Piva. ‘‘A greve dificilmente será evitada se houver mais interesse político do que econômico’’, disse Vaz. Na sua avaliação, cada categoria teria de negociar com seu sindicato patronal.
A campanha salarial unificada, rebatem as centrais, é uma resposta à proposta das empresas. ‘‘Se a economia cresceu de forma diferenciada, como a própria Fiesp argumenta para rebater nossa campanha unificada, por que o aumento oferecido para todos é de 5%? Foi a conjuntura que nos impôs a campanha unificada’’, disse Felício, presidente da CUT nacional. Além disso, o índice de reajuste não cobre as perdas da inflação, diz.
Segundo Paulinho, da Força, o índice de 20% é para negociar. ‘‘Só não dá iniciar a discussão com menos de 6,4% de aumento, que é a perda salarial causada pela inflação de novembro de 99 a outubro de 2000’’, disse Paulinho. De acordo com Paulinho, as centrais de trabalhadores estão em negociação há um mês e até agora não obtiveram nenhuma contra-proposta. ‘‘Queremos uma sinalização e eles vão ter o final de semana do feriado para pensar. Do contrário, é greve’’, disse Paulinho.
As duas principais centrais do País, Força e CUT conseguiram reunir cerca de 1,5 mil manifestantes, no ato realizado em frente ao prédio da Fiesp, na Paulista. Entre 7h30 e 11h30, vários dirigentes sindicais se revezaram no microfone. Paulinho chegou inclusive a acusar Piva e ameaçou invadir a sede da Fiesp, caso não haja acordo em relação a campanha salarial.