Greve nacional pode paralisar 4,5 milhões na próxima terça
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terça-feira, 31 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Cerca de 4,5 milhões de trabalhadores devem entrar em greve a partir da próxima terça-feira, dia 7. A previsão, feita ontem pelos presidentes da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, e da CUT, João Felício, abrange 26 categorias que compreendem os 4,5 milhões de trabalhadores com data-base neste semestre, entre elas metalúrgicos, bancários, petroleiros, químicos e funcionários da Febem. A campanha salarial unificada reivindica aumento de 20% e redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Sem aumento real vamos para a greve, é inevitável, disse Paulinho, após entregar o comunicado oficial das centrais, alertando a direção da Fiesp sobre a possibilidade da greve. Não mandamos um pedido oficial, mas ele sabia que viríamos. Infelizmente ele não está aqui para nos receber, disse Paulinho, referindo-se ao presidente da entidade Horácio Lafer Piva.
Cerca de 1,5 mil manifestantes fizeram concentração em frente à sede da Fiesp, na Avenida Paulista. Uma comissão formada por sete sindicalistas foi recebida por Cláudio Vaz, diretor-executivo da entidade e braço direito de Piva. A greve dificilmente será evitada se houver mais interesse político do que econômico, disse Vaz. Na sua avaliação, cada categoria teria de negociar com seu sindicato patronal.
A campanha salarial unificada, rebatem as centrais, é uma resposta à proposta das empresas. Se a economia cresceu de forma diferenciada, como a própria Fiesp argumenta para rebater nossa campanha unificada, por que o aumento oferecido para todos é de 5%? Foi a conjuntura que nos impôs a campanha unificada, disse Felício, presidente da CUT nacional. Além disso, o índice de reajuste não cobre as perdas da inflação, diz.
Segundo Paulinho, da Força, o índice de 20% é para negociar. Só não dá iniciar a discussão com menos de 6,4% de aumento, que é a perda salarial causada pela inflação de novembro de 99 a outubro de 2000, disse Paulinho. De acordo com Paulinho, as centrais de trabalhadores estão em negociação há um mês e até agora não obtiveram nenhuma contra-proposta. Queremos uma sinalização e eles vão ter o final de semana do feriado para pensar. Do contrário, é greve, disse Paulinho.
As duas principais centrais do País, Força e CUT conseguiram reunir cerca de 1,5 mil manifestantes, no ato realizado em frente ao prédio da Fiesp, na Paulista. Entre 7h30 e 11h30, vários dirigentes sindicais se revezaram no microfone. Paulinho chegou inclusive a acusar Piva e ameaçou invadir a sede da Fiesp, caso não haja acordo em relação a campanha salarial.


