Greve na Argentina não tem grande adesão
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quarta-feira, 22 de maio de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, sofreu ontem sua primeira greve geral. A paralisação, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) dissidente, uma das três centrais sindicais argentinas, não obteve grande adesão, já que os transportes públicos urbanos funcionaram normalmente.
No entanto, o líder da CGT dissidente, Hugo Moyano, conseguiu levar milhares de pessoas à Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo, para protestar contra a política econômica do governo Duhalde e a possibilidade de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Não podemos ficar mendigando na frente de todo o mundo, nem se arrastando como uma minhoca, disse Moyano, em referência aos desesperados pedidos do governo Duhalde para obter uma ajuda financeira do Fundo Monetário. O líder sindical também criticou o presidente, ao afirmar que aqueles que diziam que o modelo estava esgotado e que era necessário mudá-lo, agora não têm coragem de fazê-lo.
O centro de Buenos Aires tornou-se um caos. Enquanto grupos de aposentados realizavam sua tradicional manifestação das quartas-feiras ao redor do Congresso Nacional, manifestantes da CGT dissidente bloquearam o trânsito nas principais avenidas do centro da capital argentina.
Quisemos dirigir um jumbo com pilotos de teco-teco. Com estas palavras, Oscar Vicente, vice-presidente do Grupo Pérez Companc, um dos maiores holdings de capital argentino, explicou que pensávamos que este era um país lucrativo, mas é ineficiente e pouco competitivo.
As declarações de Vicente não foram as únicas a encarar a Argentina com tom crítico. Durante um encontro realizado na cidade de Rosário pelo Colóquio Idea, os principais empresários do país diagnosticaram que se a economia conseguisse se recuperar miraculosamente, em um período entre dois e cinco anos o país poderia ter o mesmo nível de atividade econômica que possuía no ano 2001. A perspectiva não é otimista, já que em 2001 o país já acumulava três anos de recessão.
No comércio, a frustração com o governo e a desvalorização da moeda também são significativos. Uma pesquisa feita pela Coordenadoria de Atividades Mercantis Empresariais (CAME) indicou que ao contrário das promessas do governo, a desvalorização da moeda não reaqueceu a economia, e somente provocou maiores quedas nas vendas. Essa é a opinião de 94,3% dos comerciantes argentinos.
Segundo a CAME, nos primeiros cinco meses deste ano as vendas despencaram 50% em relação ao mesmo periódo do ano passado.


