A greve dos funcionários públicos argentinos paralisou ontem os trabalhos de verificação de cargas para exportação e importação na aduana do país vizinho. Em Puerto Iguazú, fronteira com o Brasil distante 10 quilômetros de Foz do Iguaçu, pelo menos 40 caminhões, muitos deles brasileiros, aguardavam a liberação dos documentos tanto para entrar quanto para sair da Argentina. Cerca de 1,5 milhão de funcionários públicos aderiram ontem à paralisação de 24 horas contra pacote de corte de gastos do governo.
A fiscalização dos carros de passeio também foi deficiente ontem devido à redução dos funcionários atuando na aduana argentina. A maioria aderiu à greve de 24 horas dos funcionários públicos, inclusive o chefe responsável pelo trabalho no local. Segundo informações da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), vindas de Buenos Aires e repassadas para os fiscais aduaneiros, está previsto uma paralisação nacional que reunirá todas as centrais sindicais do país. Para o presidente da Câmara de Comércio de Puerto Iguazú, Roberto Javier Rios, os reflexos da greve geral não devem atingir a população do interior. ‘‘A prefeitura e outros órgãos públicos devem parar, mas isso não deve interferir no dia-a-dia das cidades pequenas. Estamos preocupados com as medidas econômicas em si’’, comentou Rios.
Mas o protesto que não afeta o trabalho da população local já começou a prejudicar o comércio internacional. Para muitos caminhoneiros brasileiros, a autorização para entrar na Argentina deve demorar pelo menos cinco dias. ‘‘Cheguei logo pela manhã e não vi nenhum caminhão sendo liberado. O pessoal da aduana disse que devo sair daqui somente segunda-feira’’, disse o motorista Antonio Pereira de Souza, 50 anos, que estava transportando móveis para San Nicola, região central do país. Caminhoneiro há 16 anos, Souza comentou que já fez cinco viagens para o exterior e que nunca esteve em tal situação. ‘‘Já avisei minha empresa lá em Jaguapitã e também minha família. Não sei quando vou voltar’’, lamentou.
Durante a tarde de ontem, a fila de caminhões no acostamento da pista complicou o trabalho de dois policiais que cuidavam do trânsito nas ‘‘calhas’’ de acesso ao posto de atendimento. Cerca de 30 carros de passeio congestionaram a entrada da aduana durante duas horas. O número de pessoas que transitam diariamente pela Ponte Tancredo Neves, via que liga Puerto Iguazú a Foz, é de pelo menos 2 mil pessoas, segundo levantamentos da Polícia Rodoviária Federal.

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