Greve já provoca desabastecimento no PR
Valmir Denardin e
Dimitri do Valle
De Foz e Curitiba
A greve nacional dos caminhoneiros já co meça a provocar a falta de produtos em supermercados e na Ceasa de Foz do Iguaçu. Ontem, já era difícil encontrar carnes, laticínios, frutas, legumes e verduras nos maiores estabelecimentos da cidade. A rede Super Muffato, com três lojas na cidade, adotou ontem o racionamento dos produtos que já estão em falta. Limitou a venda de frangos (dois por cliente) e de laranja (cinco quilos). Desde segunda-feira, a rede não recebeu nenhum carregamento de mercadorias.
Segundo Noroly do Nascimento, gerente de uma das lojas, a escassez já está provocando o aumento dos preços. Comprávamos o frango de fornecedores de fora a R$ 0,95 o quilo. Agora, estamos comprando de um fornecedor local a R$ 1,25 o quilo. Esse aumento deverá ser repassado para o consumidor, disse Nascimento.
A unidade da Ceasa (Centrais de Abastecimento do Estado) em Foz do Iguaçu já acumulava ontem um prejuízo de R$ 200 mil só em cargas perecíveis (que se estragam em um prazo de 48 horas). Com 80 atacadistas, a Ceasa de Foz atende o Extremo-Oeste paranaense e regiões fronteiriças do Paraguai e da Argentina. Vende 115 mil toneladas de produtos por mês, com faturamento mensal de R$ 5,5 milhões.
O atacadista Sidney Bonfim, que vende cerca de 12 toneladas de mamão proveniente da Bahia por dia, tinha em seu box ontem à tarde apenas uma caixa da fruta. Bonfim calculava seu prejuízo em R$ 15 mil. Há dois dias, os 13 funcionários da empresa não têm o que fazer.
A adesão dos caminhoneiros paranaenses ao movimento nacional de paralisação da categoria já atingiu cerca de 60% da frota no Estado. São 150 mil caminhões que deixaram de rodar desde segunda-feira, quando o protesto foi desencadeado em 14 Estados. Os números foram divulgados ontem pelo presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Fetranspar), Walmor Weiss. Ele disse que os prejuízos para as empresas são incalculáveis.
Até as 18h30 de ontem, a Fetranspar contabilizava 57 pontos de bloqueio nas rodovias estaduais e federais do Paraná. O índice pode aumentar a partir de hoje. A Fetramspar está orientando os filiados a segurar os caminhões nas transportadoras. A situação ficou insustentável para todos, justificou Weiss. Ele culpa o governo federal, que aumentou o litro do óleo diesel em 43% desde o início do ano. Os empresários protestam também contra os preços do pedágio no Estado e da carga de impostos que vem onerando o frete.





