Greve já afeta caixas eletrônicos
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A greve dos bancários já começa a fechar o auto-atendimento na Capital. Apesar de o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região informar que os caixas automáticos estão em funcionamento normal, alguns usuários de bancos tiveram que fazer uma maratona para encontrar o auto-atendimento aberto. O arquiteto Maurício Maestri disse que teve que percorrer três bancos para achar um estabelecimento no qual os caixas eletrônicos estivessem operando.
Ele passou por agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para conseguir fazer um depósito. ''É um absurdo! Deveriam deixar pelo menos o auto-atendimento funcionando'', disse. O Sindicato dos Bancários informou que este procedimento é contrário à decisão da assembléia de trabalhadores.
Ontem, os bancários de Curitiba e Região decidiram em assembléia pela continuidade da greve por tempo indeterminado. Amanhã (quinta-feira), acontece uma reunião de negociação do Comando Nacional de greve com a Fenaban em São Paulo. Ainda em São Paulo, o Ministério Público do Trabalho entrou na Justiça com pedido de dissídio coletivo que só afetaria aquele Estado.
A greve foi ainda mais acirrada ontem e fechou 233 agências de Curitiba e Região Metropolitana, sendo 46 da Caixa, 54 do Banco do Brasil e 133 dos bancos privados. Além das agências, 12 centros administrativos permanceram fechados. Cerca de 14,6 mil bancários estavam em greve ontem na Capital e Região.
No interior do Estado, 215 agências fecharam as portas ontem, o que totaliza 448 agências no Paraná todo e 18,3 mil bancários em greve.
A empresária Josiane Munhoz estava tentando pagar uma conta no Banco do Brasil desde 9 de outubro. Ontem, ela deixou um envelope com o valor de R$ 400,00 no banco e hoje deveria passar na mesma agência para pegar o comprovante de pagamento. Com a greve, foi obrigada a pagar R$ 3,50 de multa pelo atraso. ''Se eu não pagar, a conta vai para o cartório de protesto de títulos'', disse.
A pedagoga Kátia Lemos disse que não consegue pagar os funcionários dela por conta da greve. Mas, ontem recebeu uma ligação do Banco do Brasil oferecendo um título de capitalização. ''É um absurdo'', disse.
Os bancários reivindicam aumento salarial de 13%, sendo 8% de perdas com a inflação e 5% de aumento real. Também pedem mais investimentos dos bancos em segurança nas agências, mais contratações e aumento na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).


