A maior greve geral contra a política econômica dos primeiros 11 meses do governo socialdemocrata argentino de Fernando de la Rúa começou ao meio-dia de ontem em meio a incidentes isolados e a uma guerra verbal entre funcionários e sindicalistas pelo temor de excessos. A CGT dissidente (linha dura) e a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) adiantaram-se à paralisação de 36 horas que conta também com a adesão da CGT oficial, que reúne os sindicatos mais importantes. Esta é a primeira greve conjunta das três centrais sindicais e a terceira paralisação de atividades desde a posse de Fernando de la Rúa, dia 10 de dezembro passado.
Uma onda popular na Praça de Maio, ante a Casa de Governo, e um ‘‘cacerolazo’’ em frente ao Congresso, assim como o bloqueio de 200 ruas, avenidas e estradas em todo o país foram os principais sinais da rejeição a uma política de desemprego e subemprego que afeta mais de quatro milhões de pessoas.
O governo reiterou, através do porta-voz da presidência, Ricardo Ostuni, que se forem registrados episódios de violência que superem ‘‘a medida do razoável’’, poderia ‘‘declarar a ilegalidade da greve e até cancelar licenças de funcionamento de sindicatos’’. O secretário do Interior, Enrique Mathov, comentou que ‘‘alguns sindicalistas estão planejando atos que são diretamente criminosos, como impedir a outros exercer o próprio direito’’.
Houve uma denúncia de madrugada que em algumas motoristas tiveram que trocar pneus dos carros destruídos em algumas pontes por pregos colocados na pista de propósito. Algumas empresas de ônibus registraram vidros quebrados. Segundo a polícia, na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, 150 desempregados e aposentados cortaram pela manhã as vias de acesso à cidade, aderindo à greve. Situações semelhantes foram observadas nas províncias de Chaco e Salta (nordeste), Neuquén (sul) e nas ruas da Capital Federal. As ações foram protagonizadas por estudantes em maioria.
As prostitutas da cidade de Resistência, na província de Chaco, cerca de 1.000 km ao norte de Buenos Aires, aderiram ao movimento. ‘‘Somos trabalhadoras como outra qualquer e não dá para continuar esta situação nacional’’, opinaram as prostitutas.
O líder sindical Hugo Moyano (da linha radical) disse que não se deve ter medo: os trabalhadores só estão brigando pelos próprios direitos. Víctor De Gennaro (CTA) disse que o governo deveria estar preocupado com os 40 bilhões de pesos’’ (igual em dólares) que foram perdidos este ano com a recessão’’ e não com o custo da greve, de 600 ou 800 milhões’’ de dólares.

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