O primeiro dia de greve dos funcionários do Banestado, ontem, foi marcado pelo fechamento de 21 agências bancárias e três centrais de arrecadação em Curitiba, cinco agências em Londrina e uma em Cornélio Procópio. O centro administrativo do conglomerado funcionou de maneira precária com adesão de quase 80% dos funcionários. Os números foram divulgados ontem no final da tarde pelo Sindicato dos Bancários e são contestados pela diretoria do banco. Segundo a assessoria do Banestado, apenas 13 agências pararam.
A greve continua hoje com a expectativa dos organizadores de conseguirem fechar maior número de agências em mais municípios. O presidente do sindicato dos bancários de Curitiba e Região Metropolitana, José Daniel Farias, acredita que hoje comece a ocorrer um efeito dominó. ‘‘Aos poucos, vamos entrar nas agências dos bairros de Curitiba e interior do Estado’’.
Hoje há 7,6 mil trabalhadores no Banestado. Dos 3,4 mil que trabalham em Curitiba, cerca de 1,5 mil estão de ‘braços cruzados’ desde ontem, segundo o sindicato. O banco não forneceu o número de grevistas.
Contra a ‘inflexibilidade’ da direção do Banestado em negociar o contrato coletivo de trabalho para o próximo ano, o movimento dos bancários também é um protesto ao processo de privatização do banco. A categoria teme demissões, como em outras instituições que passaram às mãos da iniciativa privada. O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, contesta os sindicalistas. ‘‘Quem produz e apresenta resultado terá a garantia de emprego’’, afirmou, acrescentando que ‘‘muitas reivindicações, se fossem atendidas, prejudicariam a venda’’.
Entre as exigências dos funcionários para o novo contrato coletivo de trabalho estão a garantia de emprego de 18 meses após a privatização, pagamento imediato de horas extras, garantia de manutenção do Fundo de Pensão e Plano de Saúde, manutenção do centro administrativo do Banestado no bairro Santa Cândida e não fechamento de agências após a privatização. A greve iniciada ontem não prevê piquetes nas portas das agências.
O sindicato dos bancários exige que antes da privatização seja aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que averiguar os responsáveis pela má gestão do Banestado. ‘‘Uma diretora do Banco Central disse que uma quadrilha atuou na Banestado Leasing e até agora não se tem notícias do desvio’’.
LondrinaDas sete agências do Banestado de Londrina, cinco tiveram as atividades paralisadas ontem em função da greve, logo no início da manhã. Na região central, as agências Centro e Ouro Verde, localizadas no calçadão, fecharam as portas para os clientes. De acordo com José Fernando da Silva, presidente do sindicato e funcionário do Banestado, essa greve se diferencia das anteriores por não reivindicar reajustes salariais, mas exigir maior atenção do governo do Estado com relação à privatização.
Em Foz do Iguaçu, os serviços da agência centro do Banestado foram paralisados ontem durante uma hora, provocando grandes filas. Funcionários de outras agências da cidade também participaram do manifesto. (Com Carolina Avansini e Emerson Dias)