Pela primeira vez em 60 anos, os funcionários de hotéis e restaurantes realizaram uma greve, ontem de manhã, como forma de pressionar a classe patronal a aceitar as suas reivindicações da campanha salarial. A paralisação atingiu apenas um estabelecimento de Curitiba, o Hotel Presidente, no centro da cidade, mas o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro e Similares de Curitiba e Região ameaçava estender as manifestações no final de semana para Santa Felicidade, comprometendo todo atendimento do maior bairro gastronômico da Capital.
A paralisação de ontem acabou alcançando resultados positivos. Ainda de manhã, representantes dos sindicatos patronal e dos funcionários reuniram-se para negociar, chegando a um acordo no início da tarde. Com isso, os empregados do hotel voltaram ao trabalho ao meio-dia.
Na parte da manhã, os serviços no Hotel Presidente ficaram prejudicados. Segundo o gerente Sérgio Fink, dos 50 funcionários menos de 15 entraram para o trabalho. Com isso, o pessoal da área administrativa teve que ser deslocado para áreas emergenciais, como o trabalho da cozinha e de camareiras. Segundo o sindicato, a adesão só não foi total porque o hotel pressionou seus funcionários para que chegassem mais cedo, ontem, antes da manifestação do sindicato.
Empregados e a classe patronal entraram em acordo em quase todos os pontos. Os empregados reivindicavam inicialmente reajuste salarial linear de 10%, mas aceitaram a contra-proposta de 8,6% para o piso, que passou para R$ 255,00 e de 5% para os demais salários, além de pagamento semestral de participação dos empregados nos resultados equivalente a 20% do salário.
A única pendência foi o banco de horas extras. ‘‘Nós não aceitamos incluir uma cláusula geral sobre o assunto na convenção, porque achamos que os empregados é que têm que decidir sobre o assunto’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Empregados, João José Gonçalves. Segundo ele, apesar da jornada dos empregados ter duração de sete horas e vinte minutos é comum a realização de turnos de até 16 horas, na maioria das vezes sem pagamento de horas-extras ou apenas com a compensação por folgas.
Diante do impasse, o sindicato patronal acabou propondo que fosse anexada à convenção uma minuta pré-aprovada que prevê a implantação do banco de horas desde que aprovada por representantes dos empregados de cada empresa. Em Curitiba e região existem cerca de 18 mil trabalhadores na área e aproximadamente 16 mil estabelecimentos representados pelo Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares. O sindicato, entretanto, representa um total de 30 mil estabelecimentos, incluindo a região do Litoral e Ponta Grossa, de acordo com o presidente da entidade, Emerson Jabur.

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