Curitiba - Os bancos do centro de Curitiba já começaram a ter falta de dinheiro no primeiro dia de greve dos vigilantes do setor de transporte de valores. A paralisação ocorre por tempo indeterminado em razão das negociações não terem avançado entre a categoria e as empresas.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, João Soares, disse que ocorreu falta de numerário na ''boca'' dos caixas e nos caixas automáticos dos bancos Real, HSBC, Banco do Brasil e Caixa Econômica.
A previsão é que a situação fique mais crítica com o pagamento dos salários agora no início do mês. De acordo com ele, até o final da tarde de ontem, o sindicato patronal não tinha apresentado nenhuma nova proposta salarial e, por isso, a previsão é que a greve continue por tempo indeterminado.
O HSBC negou a informação de Soares. A empresa esclareceu através da assessoria de imprensa que tem um plano de contingenciamento para que não haja falta de dinheiro. O banco informou que até agora não foi registrado nenhum problema. De acordo com a Caixa Econômica, em Curitiba, o atendimento dos clientes foi normal ontem.
A reportagem foi até uma agência do Banco do Brasil no centro da Capital na qual havia cartazes informando que o saque de dinheiro não estava disponível devido a greve. ''É um absurdo essa greve. Os vigilantes deveriam fazer um revezamento para abastecer os bancos'', disse a secretária Beatriz Padovani Folz de Oliveira. O administrador Rafael Siqueira disse que pretende usar mais o cartão de débito nestes dias. ''O problema é para quem precisa pagar (contas) em dinheiro'', comentou.
Adesão
Iniciada ontem, a greve teve adesão somente em Curitiba. Os vigilantes pedem reajuste do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), aumento real de 5%, fim da compensação das horas extras e vale alimentação de R$ 15. Os empresários ofereceram reajuste de 6%, além do fim da compensação das horas extras. ''Não aceitamos porque o ganho real seria de 0,5%, o que não satisfaz a categoria'', afirmou João Soares, presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana.
Já os vigilantes patrimoniais, que fazem a segurança de bancos e privados, aceitaram a proposta dos empresários em assembléia ontem pela manhã. O piso da categoria agora ficará em R$ 890, além de adicional de risco de vida no valor de R$ 67 e vale alimentação de R$ 10 por dia. No transporte de valores, cerca de 1,3 mil vigilantes estão parados. A paralisação impede a distribuição diária de cerca de R$ 40 milhões em todo o Estado, conforme dados do Sindicato dos Vigilantes.
Ontem, a empresa patronal não se pronunciou sobre a greve. Apenas informou que estava trabalhando na prestação de contas para as empresas que necessitam do transporte de valores e que apenas em Curitiba as atividades estavam 100% paradas. Em Cascavel, por exemplo, os trabalhadores estavam fazendo normalmente o transporte de valores.

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