Curitiba - Os vigilantes começam hoje uma greve por tempo indeterminado no Paraná. A principal consequência deve ser o fechamento de muitas agências bancárias. As reivindicações da categoria são o reajuste salarial pela inflação, que equivale a 6,5%, o pagamento de um adicional de periculosidade de 30% e um aumento no vale-alimentação de R$ 15,50 para R$ 20.
De acordo com o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná e do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, João Soares, o sindicato patronal teria oferecido um reajuste de apenas R$ 20 no piso salarial, que hoje é de R$ 1.140. Ele acredita que a greve deve afetar ainda estabelecimentos comerciais e indústrias onde há o trabalho de vigilantes.
Em Londrina, o Sindicato dos Vigilantes realizou ontem uma assembleia para organizar a paralisação de hoje. O diretor do sindicato Roberto Aragão disse que a categoria deveria optar pela greve porque até o início da noite de ontem não tinha recebido nenhuma nova proposta do sindicato patronal. A direção do sindicato londrinense deve procurar a Polícia Federal na manhã de hoje para pedir que os agentes fiscalizem as instituições e garantam que os bancos não abram sem o grupo total de vigilantes nas agências.
Os bancos devem atender apenas com os caixas eletrônicos, mas há o risco de começar a faltar dinheiro em função do desabastecimento de numerário. A categoria deve se concentrar a partir das 6 horas de hoje na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba. Os manifestantes vão sair da praça a partir das 7 horas para diversos pontos da cidade.
A greve deve atingir com mais intensidade os bancos devido a uma exigência legal que prevê que as agências não podem abrir sem os vigilantes.
O vice-presidente da Associação Comercial do Paraná e lojista da área de calçados, Antonio Miguel Espolador Neto, acredita que os segmentos do comércio mais prejudicados serão as lojas de departamentos, que utilizam mais serviço de vigilância. No entanto, o pequeno varejo também deve ser afetado já que, com os bancos fechados, as pessoas deixam de ir às agências e, com menos dinheiro na mão, acabam não aproveitando o horário de almoço, por exemplo, para fazer compras.
O Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp-PR) informou que não iria se pronunciar sobre a greve. Desde o início das negociações, o sindicato patronal esclareceu que o pagamento do adicional será feito após a efetiva regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Paraná conta com 26 mil vigilantes, sendo 12 mil em Curitiba e 2 mil em Londrina.
No dia 10 de dezembro de 2012 foi publicada, em Diário Oficial, a sanção da Lei Federal 12.740, que prevê que as empresas precisam pagar 30% além do salário para compensar os riscos envolvidos na profissão. No Paraná, as empresas já fazem um pagamento de 15,5% além dos salários.
No último dia 14 de janeiro, a categoria fez um protesto e fechou grande parte das agências bancárias da capital. Apenas os caixas eletrônicos permaneceram funcionando normalmente.
A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) informou que o Ministério do Trabalho e Emprego já comunicou a formação de um grupo técnico para redigir as condições de aplicação da lei que estabelece o pagamento do adicional de periculosidade, após sua regulamentação. Para a Febraban, a reivindicação de aplicação imediata é descabida. A entidade esclareceu ainda que as instituições financeiras desenvolverão todos os esforços legais para bem atender os usuários dos serviços bancários.

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