Greve dos vigilantes afeta bancos no Paraná
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011
Diogo Cavazotti e<br>Adriana Franco<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A paralisação dos vigilantes patrimoniais alterou a rotina das agências bancárias no Paraná. Desde ontem, boa parte dos trabalhadores da categoria cruzaram os braços e realizaram manifestações em diferentes regiões do Estado. Segundo o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região (Sindivigilantes), João Soares, 70% dos 1.377 bancos do Paraná não abriram durante o dia de ontem. A Lei 7.102 não permite a abertura de agências sem no mínimo dois vigilantes. Caso um profissional esteja presente, apenas expediente interno é permitido. A greve tem período indeterminado.
A categoria reivindica aumento de 5% no piso salarial, que atualmente é de R$ 996,00, além da reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), aumento no valor do vale alimentação (de R$ 12 para R$ 15) e elevação do adicional de risco no trabalho de 10% para 15%. Ao todo, 22,6 mil vigilantes trabalham no Estado. Os vigilantes não aceitaram a proposta de receberem correção do INPC sem aumento real e acréscimo de 11% para risco, além de R$ 13,00 de alimentação por dia.
No final da tarde de ontem o Ministério Público do Trabalho (MTB) se reuniu com representantes do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná (Sindesp), Federação dos Vigilantes do Paraná (Fetravispp) e Sindivigilantes para apresentar uma terceira proposta. Nesse caso, o piso seria ajustado em 7%, o adicional de risco subiria para 13% sobre o salário e o vale-alimentação ficaria em R$ 14.
Após assembleia realizada por volta das 18 horas, entre representantes do Sindesp e do Sindivigilantes, não houve acordo. Segundo o presidente do Sindivigilantes, João Soares, os empresários mantiveram a posição de manter o reajuste salarial de acordo os índices da inflação. Diante desse posicionamento, a decisão foi de continuar a greve.
''Amanhã (hoje) estaremos em frente à Praça Santos Andrade (em Curitiba) fazendo piquete a partir das 6 horas da manhã. Enquanto não houver uma negociação, a paralisação não termina'', afirmou. De acordo com o MTB, está marcada para hoje, às 13 horas, uma nova audiência entre as partes interessadas.
Em comunicado, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) exigiu das prestadoras de serviços de segurança bancária a volta do efetivo e entende que o Sindivigilantes está banalizando o uso da greve, aproveitando essa ferramenta para alcançar seus objetivos.
O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana defende que as agências permaneçam fechadas caso não haja, no mínimo, dois vigilantes. Caso contrário, isso poderia representar risco tanto para os clientes quanto para os funcionários.
Como as contas não mudam a data de vencimento, os clientes podem optar por realizar o pagamento em lotéricas e terminais de autoatendimento, além de internet. A greve deve provocar desabastecimento de cédulas nos caixas eletrônicos, pois os carros-fortes não poderão atuar sem vigilantes. Terminais localizados em mercados, shoppings e postos de gasolina não devem ser afetados pois funcionam com serviço terceirizado.
A última greve da categoria ocorreu em 2009, quando os vigilantes ficaram sem trabalhar por três dias. No ano passado, os trabalhadores do setor de transporte de valores pararam por nove dias, o que complicou o funcionamento de caixas eletrônicos.


