Greve dos servidores prejudica agronegócio
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quinta-feira, 23 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba A greve dos funcionários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que iniciou no dia 15 deste mês já começa a prejudicar o setor agropecuário. Os servidores esperam para a próxima semana o ajuizamento de várias ações como foi o caso do Sindicato da Indústria de Rações do Paraná que entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal. O sindicato quer que seja liberada a tramitação dos processos de importação de ração animal que são uma atribuição dos fiscais que atuam na área técnica.
A paralisação dos servidores atinge empresas que produzem, exportam e importam qualquer tipo de produto de origem animal e vegetal como carnes, rações, embutidos, entre outros.
O Mapa tem 340 servidores técnicos e administrativos no Paraná e 96% deles aderiram à greve. Em Curitiba, a adesão dos 68 funcionários é de 99%, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Mapa no Paraná, Gerson Karpstein. Ele informou que o movimento é nacional.
Com a greve estão parados os setores administrativo, de recursos humanos, atividades gerais, transporte e protocolo. Além disso, o laboratório do Mapa não está realizando análises de produtos da área animal e vegetal. Através dos exames do laboratório é emitido um certificado de análise monstrando se o produto está adequado ao consumo humano. Sem isso, as empresas não podem vender os produtos a não ser que façam a análise em laboratórios particulares.
A paralisação também afeta o trânsito interno de produtos de origem animal e vegetal e a importação de fertilizantes. Além disso, muitos produtos precisam de registro do Mapa para importação, exportação ou venda no mercado interno. As guias de importação e exportação também são emitidas pelo Ministério.
Os pescadores do Estado também podem ser prejudicados pela greve. Estes trabalhadores precisam de uma licença anual para pescar que é emitida também pelo Mapa. A previsão de Karpstein é que também haja atraso na liberação das indenizações para do donos de fazendas que tiveram o rebanho sacrificado em função da febre aftosa. O atraso seria na parcela de 50% que seria paga pelo governo federal.
A greve é por tempo indeterminado. Os servidores querem o pagamento de uma gratificação mensal de R$ 2.070 para os técnicos de nível superior, de R$ 1.552 para os de nível médio e de R$ 980 para os de nível auxiliar. O salario base dos técnicos é de R$ 524 e dos servidores administrativos de R$ 1.600.


