Servidores dos Correios no Paraná aderiram nesta quarta-feira (11) à paralisação deflagrada pela categoria em várias cidades do País. Os funcionários reclamam da falta de diálogo com a diretoria, que estaria se recusando a negociar a CCT (convenção coletiva de trabalho). Segundo o presidente do Sintcom (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios) do Paraná, Adailton Cardoso, cerca de 80% dos trabalhadores cruzaram os braços no Estado. Os Correios informam que, de acordo com levantamento parcial realizado nesta manhã, 86,69% dos empregados do Paraná estão trabalhando normalmente.

Em Londrina, a paralisação atinge entre 15% e 20%, estima o diretor sindical Cristian Felipe Ratz Pires. “[É um percentual que] já dá diferença, porque faltam funcionários normalmente. Mas é uma paralisação parcial. Os serviços estão saindo com atraso, mas estão saindo”, afirma.

Na região de Londrina, estão paradas, ainda de acordo com ele, a unidade dos Correios do Jardim Bandeirantes e das cidades de Marialva, Jandaia do Sul e Primeiro de Maio. Ele diz, ainda, que o movimento é mais forte em cidades como Santo Antônio da Platina, Apucarana e Arapongas.

A principal reivindicação é a retomada da negociação da CCT, com reposição salarial no mesmo percentual da inflação – a empresa oferece 0,8%, segundo Cardoso. Pires levanta outros pontos importantes garantidos na convenção coletiva. “Temos cláusulas importantes, inclusive as [de âmbito] sociais, de preservação dos direitos das mulheres, garantia de empregado-estudante”, lamenta.

Nas reuniões de mediação, ainda segundo Pires, a categoria disse que queria seguir com as negociações. “A empresa se indispôs, disse que não era possível [atender as reivindicações]. Mas a gente sabe que é. É uma empresa lucrativa e autossuficiente, não precisa de dinheiro do governo federal”, ressalta.

Nesta tarde, os Correios divulgaram nota informando que a maioria dos trabalhadores segue trabalhando normalmente. Confira a íntegra:

A paralisação parcial dos empregados dos Correios, iniciada nesta terça-feira (10) pelas representações sindicais da categoria, não afeta os serviços de atendimento da estatal.

A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas.

Levantamento parcial realizado na manhã desta quarta-feira (11) mostra que 82% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente. No Paraná, 86,69% dos empregados estão trabalhando normalmente.

Negociação — Conforme amplamente divulgado, os Correios estão executando um plano de saneamento financeiro para garantir sua competitividade e sustentabilidade. Desde o início de julho, a empresa participa de reuniões com os representantes dos empregados, nos quais foram apresentada a real situação econômica da estatal e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado, atualmente na ordem de R$ 3 bilhões. As federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa.

Vale ressaltar que, neste momento, um movimento dessa natureza agrava ainda mais a combalida situação econômica da estatal. Por essa razão, os Correios contam com a compreensão e responsabilidade de todos os seus empregados, que precisam se engajar na missão de recuperar a sustentabilidade da empresa e os índices de eficiência dos serviços prestados à população brasileira.

Atualizada às 14h45.

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