Paralisação dos caminhoneiros: governo fala em prejuízo de mais de R$ 40 bilhões no País
Paralisação dos caminhoneiros: governo fala em prejuízo de mais de R$ 40 bilhões no País | Foto: Anderson Coelho



O prejuízo com a greve dos caminhoneiros pode ultrapassar os R$ 4 bilhões no Paraná, estimam as entidades que participam do G7 (grupo formado pela Fiep, Faep, Fecomércio, Faciap, Fetranspar, Ocepar e ACP). O valor é baseado na representatividade do Estado na economia brasileira. "O governo fala em prejuízo de mais de R$ 40 bilhões no País. Levando em consideração a nossa participação na economia, acreditamos que o conjunto da economia do Estado perdeu R$ 4,2 bilhões", afirmou Darci Piana, coordenador do G7 e presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná).

Segundo Piana, as perdas no comércio podem somar R$ 1,8 bilhão, principalmente nas empresas de gênero alimentício. "É difícil fazer um balanço preciso, mas depois de consultar os segmentos acreditamos o setor de alimentos foi o mais afetado", comentou. Os comerciantes precisaram controlar os estoques e a regularização deve demorar uns dez dias, de acordo com Piana.

As entidades acreditam que a recuperação dos prejuízo será difícil, principalmente pelos ajustes que a economia vem passando. Os boatos de novas greves, na avaliação do coordenador do G7, atrapalham essa retomada. "Os comentários de nova greve mais atrapalham do que ajudam o País", reclamou. As entidades estão alertando o empresariado sobre as fake news.

Piana afirmou que, mesmo com os prejuízos, as empresas não devem reduzir os quadros de funcionários, principalmente o varejo. "O comércio de modo geral sabe que isso é passageiro. Nossa preocupação é com as eleições. Pode gerar certa preocupação no mercado, caso algum candidato que não tenha a estrutura da qual o País precisa comece a se destacar", disse.

AGRONEGÓCIO
Segundo a Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná), levantamentos iniciais apontam prejuízos na casa de R$ 1 bilhão com a interrupção das atividades em 25 agroindústrias que atuam nos setores: lácteos, carnes, grãos, açúcar e álcool e fertilizantes.

Diariamente, nove plantas deixaram de abater 2,3 milhões de cabeças de aves, quatro deixaram de abater 12,7 mil cabeças de suínos, duas deixaram de abater 180 mil tilápias e seis agroindústrias deixaram de processar 3 milhões de litros por dia.

A avicultura e a suinocultura foram as atividades mais atingidas pela paralisação.

De acordo com o levantamento da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), 245 mil suínos deixaram de ser abatidos no Estado, impedido com que R$ 107 milhões circulassem na economia paranaense. O documento aponta, ainda, que 59 milhões de frangos não foram abatidos, enquanto que quase 70 milhões acabaram morrendo no Brasil.

A Fiep (Federação da Indústria do Estado do Paraná) calcula perdas de aproximadamente R$ 3 bilhões para as indústrias do Paraná. Segundo o presidente da entidade, Edson Campagnolo, cerca de 90% das indústrias do Paraná terão dificuldades para cumprir a folha de pagamento e honrar outros compromissos como pagamento de impostos e duplicatas.

PORTO
Nos dez dias de greve dos caminhoneiros o Porto de Paranaguá deixou de movimentar 643 mil toneladas de produtos. O Corredor de Exportação dos Portos do Paraná deixou de embarcar cinco navios de farelo de soja e um de soja, totalizando 280 mil toneladas, aproximadamente. No segmento de carga geral três navios tiveram impactos nos seus embarques.

A administração ainda não calculou os prejuízos financeiros, mas levando em consideração que o custo médio de um navio parado é de US$ 30 mil/dia, pode-se especular que as perdas superam os US$ 270 mil/dia. No TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá) houve uma redução na logística de operação de 17,3%.
Nesta sexta-feira (1) o Porto já estava operando normalmente. Cerca de 1.200 caminhões estão acessando o terminal por dia. Só nas primeiras 24 horas após o fim da greve circularam 1.140 caminhões. A administração do terminal portuário acredita que até segunda-feira (4), a movimentação deve voltar à média de 2.000 por dia.

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