Greve dos bancos eleva inadimplência no PR
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sábado, 27 de novembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A greve nos bancos, ocorrida entre os meses de setembro e outubro, foi a principal causa da elevação da inadimplência verificada no Paraná. Pesquisa sobre perfil do inadimplente feita pela empresa paulista Telecheque constatou que os Estados mais inadimplentes em outubro foram São Paulo (22%), Rio de Janeiro (15%), Minas Gerais (12%), Paraná (7%) e Bahia (7%).
''O Paraná entrou nesse ranking por acaso'', disse o diretor da regional Sul do Telecheque, Flavio Peralta. Segundo ele, os consumidores no Estado não têm o perfil de devedores, por fatores culturais. ''O consumidor da região Sul é mais controlado e mais avesso à empréstimos que as demais regiões'', afirmou.
Por causa da greve dos bancos, muitos depósitos não foram aceitos e ocorreram devoluções de cheques, disse Peralta. Segundo ele, o dinheiro que o consumidor paranaense guardou para pagar as contas acabou gastando em outra despesa.
Para os próximos meses, o diretor do Telecheque acredita que o Paraná deve sair da listagem dos Estados com maior índice de inadimplência. ''As coisas já estão voltando ao normal'', disse. Segundo Peralta, a preocupação para o início de 2005 é com Santa Catarina, onde os níveis de inadimplência devem aumentar acima da média.
Isso porque o Estado tem a economia muito forte concentrada nos municípios do litoral, cujo comércio recebe mais consumidores do que a média normal do ano. Por causa da sazonalidade do verão, o comércio das cidades catarinenses vende muito, mas o índice de inadimplência também pode ser maior, destacou.
Segundo Peralta, a preocupação do comércio é com o excesso de crédito disponível, que tem elevado os índices de inadimplência. O maior apelo das vendas é o crédito fácil porque a renda não é suficiente para as despesas e compras.
O executivo alertou o consumidor contra as armadilhas do crédito fácil a partir da próxima semana quando começa a entrar no mercado os recursos do 13º salário. Segundo Peralta, o consumidor com o dinheiro na mão tem a sensação de poder, mas faz a compra à prazo.''Quanto tiver que pagar as parcelas da compra que fez, poderá não ter mais o dinheiro e nem renda para pagar'', avisou.
A pesquisa da Telecheque contatou que os homens são mais inadimplentes do que as mulheres. Na pesquisa anterior, de julho e agosto, as mulheres ficaram na frente e corresponderam a 51% do total de inadimplentes e os homens a 49%. O maior motivo apontado pela pesquisa foi o descontrole financeiro.


