Curitiba - A greve dos bancários começou mais intensa do que no ano passado. No primeiro dia de paralisação, foram fechadas 212 agências em Curitiba e Região Metropolitana ou 41% do total e mais 13 centros administrativos. No primeiro dia de greve do ano passado, tinham sido fechadas 114 agências em Curitiba e Região. Dos 18 mil bancários de Curitiba e Região, 12.500 estavam de braços cruzados ontem, o que representa 70% do total do quadro de funcionários.
No Estado todo foram fechadas 366 agências, sendo 50 em Londrina e região. A categoria paralisou as atividades ainda em Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Paranavaí e Umuarama. Os bancários de Arapoti devem entrar em greve amanhã e de Toledo no dia 24.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Otávio Dias, disse que a adesão foi praticamente igual entre bancos públicos e privados. Ontem, das 212 agências paradas em Curitiba e Região, 113 eram do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal e o restante de bancos privados.
''Os bancários estão muito insatisfeitos. É normal que aconteça um crescimento gradativo da greve nos próximos dias. O movimento deve ser mais forte do que no ano passado'', disse. Hoje, a categoria faz uma assembleia em Curitiba apenas informativa e de avaliação do movimento, mas que não tem caráter deliberativo.
Dias informou ainda que ontem o Itaú mandou fechar os caixas automáticos de algumas agências em Curitiba. Segundo ele, esta atitude mostra que o banco pretende colocar a população contra os bancários e o movimento sindical. O Itaú foi procurado, mas não retornou até o fechamento desta edição.
Na agência Carlos Gomes da Caixa Econômica Federal, em Curitiba, ontem não havia envelopes para realizar depósitos. A Caixa esclareceu que nas agências nas quais há funcionários em greve, o banco determinou que não ocorram depósitos por motivos de segurança.
A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informou por meio de nota que lamenta a decisão dos sindicatos de bancários de recorrer à greve e confia no diálogo para a construção da convenção coletiva de trabalho da categoria na mesa de negociações.
A proposta da federação prevê reajuste salarial de 6%. Os bancários reivindicam reajuste salarial de 10,25%, com 5% de aumento real, além de plano de cargos, carreira e salários, maior participação nos lucros e resultados (PLR) e mais segurança nas agências.
Os clientes que foram às agências bancárias ontem tiveram várias dificuldades para ter acesso aos serviços. A enfermeira Maria Bernadete Schmitz tentou fazer um depósito ontem em uma agência da área central da Caixa Econômica Federal em Curitiba, mas não teve sucesso. Ela foi orientada pelos funcionários a procurar uma lotérica.
''Acho essa greve uma injustiça. Os caixas dos bancos trabalham seis horas e ainda não nos tratam bem'', disse. A vendedora Salete Alves da Luz procurou o banco para tentar mudar a senha do cartão da conta corrente do marido dela, que morreu há um mês. ''Só com o meu salário não consigo pagar as contas'', disse.
O operador de caldeira Adão Freitas dos Santos procurou ontem uma lotéria para pagar a inscrição do filho dele para um concurso. Ele também utiliza o caixa automático na empresa na qual trabalha. Mas, nos próximos dias terá que pagar a prestação do carro que só pode ser feita na ''boca do caixa''. Santos contou que foi prejudicado pela greve dos bancários no ano passado. Na época, ele tinha R$ 2 mil para pagar em um carro, mas como os bancos estavam fechados, teve que pagar depois, renegociar a dívida, e pagar R$ 400 a mais.

Imagem ilustrativa da imagem Greve dos bancários fecha 366 agências no Paraná
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