Greve dos auditores fiscais tem 70% de adesão
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A greve por tempo indeterminado dos auditores fiscais da Receita Federal que iniciou ontem, teve a adesão de até 70% dos trabalhadores no Paraná. O Estado conta com 600 auditores sendo 250 em Curitiba. Segundo o presidente do Unafisco de Curitiba (sindicato que representa a categoria), Norberto Sampaio, na Capital a adesão foi de 50% mas, em Londrina, chegou a 70%.
A paralisação já começa a trazer as primeiras consequências. Segundo Sampaio, todo o trabalho dos auditores estava parado ontem no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
O presidente do Unafisco em Paranaguá, Rodrigo Sais, disse que o porto tem um fluxo de 130 a 140 declarações de importação diariamente. Para exportação, os setores mais prejudicados devem ser o de madeira e os produtos exportados a granel como soja e milho.
''Em uma semana, o Terminal de Contêineres de Paranaguá, pode ficar em situação crítica'', alertou Sais.
O presidente do Unafisco de Foz do Iguaçu, Alfonso Burg, disse que 70% a aduana parou ontem, tanto na Ponte da Amizade como na Estação Aduaneira do Interior que desembaraça o que entra e sai do País. ''Só estamos liberando bagagens que tenham que ser desembaraçadas com o pagamento de impostos. Deixamos de fazer autos de infração e fiscalizações'', disse. Ele prevê a formação de filas na Ponte da Amizade no fim de semana.
No caso do Imposto de Renda, 100% do trabalho de malha fina realizado pelos auditores está parado.
Sampaio prevê ainda que os primeiros efeitos da greve serão sentidos pelas empresas que importam peças e insumos e trabalham com baixos estoques. ''Pode começar uma interrupção da linha de produção das empresas'', disse. Os auditores têm um salário inicial de R$ 10 mil. O governo propõe aumento salarial de 17% mas a categoria reinvindica 42%.
Em Londrina, os auditores fiscais paralisaram a análise de documentos referente à pessoa física e jurídica. Processos como restituição, ressarcimento e malha fina não foram analisados pelos fiscais, segundo a presidente da Delegacia Sindical do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais). Vera Malmegrin. Ela disse que os 30% que não aderiram têm cargos comissionados e de chefia.


