Greve depende do governo, diz líder dos caminhoneiros
Motoristas e representantes da equipe de Jair Bolsonaro passaram a segunda-feira (22) em reuniões; na pauta, a paralisação do dia 29
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terça-feira, 23 de abril de 2019
Motoristas e representantes da equipe de Jair Bolsonaro passaram a segunda-feira (22) em reuniões; na pauta, a paralisação do dia 29
Felipe Frazão, Mariana Haubert e Tânia Monteiro - Agência Estado 

O presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), Diumar Bueno, disse nesta segunda-feira (22) que cabe ao governo buscar uma solução para evitar a paralisação dos caminhoneiros prevista para o dia 29 de abril. "A paralisação dependerá do que o ministro falar com a gente", disse o sindicalista antes de reunião com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Até o fechamento desta edição o encontro não havia terminado.
Na semana passada, diante de rumores de paralisação da categoria, o governo apresentou um pacote de medidas para a categoria. Entre elas, a adoção de uma linha de crédito de R$ 500 milhões. Cada caminhoneiro terá acesso a um financiamento de até R$ 30 mil. O dinheiro servirá para que os profissionais possam comprar pneus e realizar a manutenção de seus veículos. O governo também se comprometeu a fazer melhorias nas estradas e construir pontos de descanso em rodovias federais.
Mas as medidas anunciadas, segundo Bueno, ainda são insuficientes. Os caminhoneiros pedem mais fiscalização para o cumprimento do piso mínimo do frete e também da proposta de gatilho na tabela para acompanhar os reajustes no preço do diesel, que é reajustado toda vez que o percentual de aumento no diesel ultrapassar os 10%. "A pauta de todas as pautas é o cumprimento do piso mínimo do frete, e o governo até agora não se manifestou para dizer como vai ser essa fiscalização, de fato, e dar segurança para o pessoal", disse Bueno.
Inicialmente, a paralisação estava prevista para o dia 21 de maio, mas o aumento no preço do diesel na semana passada deixou a categoria inquieta. Uma das lideranças dos caminhoneiros divulgou áudio pelo WhatsApp antecipando a possível paralisação para a próxima segunda-feira (29).
A CNTA emitiu nota no feriado de Páscoa afirmando que, ao consultar sua base, formada por 140 sindicatos, 9 federações e uma associação colaborativa, identificou que o reajuste do diesel "reacendeu uma insatisfação generalizada na categoria, que está impaciente, à espera de uma resposta do governo". A CNTA acrescentou ainda que os caminhoneiros carregam desde o ano passado "a frustração de não ter a Lei do Piso Mínimo do Frete cumprida". Para a confederação, o respeito à lei regularizaria um mercado "instável" e daria ao profissional "condições mínimas de subsistência".
Outra liderança, o caminhoneiro paranaense Wanderlei Alves, o Dedéco, disse que a paralisação convocada para começar à meia-noite do dia 29 de abril teve origem em debates dos grupos de caminhoneiros nas redes sociais. Na sua avaliação, o movimento deve atingir o Brasil inteiro, crescendo à medida que os dias passam.
Dedéco e Bueno reclamaram de falta de diálogo com o governo e disseram que "os representantes da categoria não são as pessoas que estão sendo apresentadas, principalmente pelo governo". Dedéco disse que desde janeiro o governo de Jair Bolsonaro "fechou as conversas com a categoria" e que ele tenta conversar, sem sucesso, com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
BOLSONARO
Na tarde desta segunda-feira (22), o porta-voz da Presidência da República, general Rêgo Barros, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro não vê motivo para uma nova greve geral de caminhoneiros. "A expectativa do governo do presidente Jair Bolsonaro, que mantém diuturnamente canal de ligação aberto com a categoria, é de que não há motivos para essa paralisação", disse Rêgo Barros.
O Gabinete de Segurança Institucional acompanhou a mobilização e fez análises de risco. Conforme o militar, o presidente está confiante de que não haverá paralisação por parte dos caminhoneiros, como decidido por parte da categoria na semana passada.
O general disse que o governo atua de forma proativa no gerenciamento da situação e fez referência ao patriotismo dos caminhoneiros. "Com base nesse espírito patriótico o presidente, somando-se ao acompanhamento realizado por outros órgãos do governo, entende que no momento as condições para estabelecimento dessa parada não se fazem presentes", relatou o porta-voz.
O porta-voz disse que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, dialoga com o setor para estabelecer e fiscalizar uma nova tabela do frete, outro pedido da categoria.


