Greve de vigilantes fecha bancos e clientes reclamam
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sábado, 02 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A greve dos vigilantes fechou ontem cerca de 80 bancos em Londrina e causou transtornos aos clientes que precisaram de atendimento nas agências. Houve muitas reclamações devido à falta de funcionários para orientar os correntistas e muitos voltaram para casa sem conseguir pagar contas, sacar aposentadorias ou com dúvidas. A greve é por tempo indeterminado e não há previsão de reabertura dos bancos em todas as cidades do Paraná.
Segundo informações do Sindicato dos Vigilantes de Londrina e Região, são mil trabalhadores de braços cruzados na região metropolitana de Londrina (RML) e outros mil no restante das 96 cidades que compõem a área de atuação da entidade, todos parados. A categoria pede reajuste de 10% além dos 6,2% da inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ampliação do adicional de periculosidade de 15% para 30% e elevação do vale alimentação de R$ 15,50 para R$ 20 ao dia. O presidente do sindicato, Orlando Luiz de Freitas, afirma que as exigências foram levadas a entidades patronais em novembro do ano passado. "Estamos dispostos a negociar, mas não fomos procurados até hoje (ontem)."
O Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp) informou apenas, por meio de nota, que a aplicação da legislação que prevê o pagamento do adicional à categoria só será feita depois da "regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, como previsto na lei". Ainda, aponta que "não há o que falar em pagamentos de qualquer natureza antes da regulamentação". Conforme dados da assessoria da entidade, ninguém falaria ontem sobre uma possível negociação.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou, também em nota, que as agências são obrigadas por lei federal a garantir a segurança do atendimento ao público com funcionários de vigilância, sistema de alarme e outros dispositivos mecânicos e eletrônicos. O próprio Sindicato dos Bancários de Londrina protocolou na manhã de ontem um pedido, na Polícia Federal, para que fosse feita fiscalização em agências para evitar que abrissem sem vigilantes.
Sobre a reivindicação de adicional de periculosidade, a Febraban classificou o pedido da categoria como "descabido" porque ainda não foi feita a regulamentação. Por fim, lembrou que as "instituições financeiras desenvolverão todos os esforços legais para atender aos usuários dos serviços bancários".
Porém, muitos clientes não sentiram esse empenho nas agências do centro de Londrina. Aglomerações foram formadas na tarde de ontem em frente a portas giratórias de agências, em busca de informações com funcionários que faziam serviços internos. Nos caixas eletrônicos, as filas eram grandes e nem sempre havia orientação para o uso do equipamento, mesmo no horário em que os bancos estariam abertos.
O carpinteiro Elizeu dos Santos Mariano saiu da zona norte para ir ao banco no centro, para sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Ele ainda buscou atendimento, mas foi uma das pessoas que tentou, em vão, conseguir alguma informação na entrada da agência. "Vim na data que me falaram, não fui informado de nada e vou voltar para casa. Eu contava com o dinheiro."
Situação parecida viveu a dona de casa Umbelina Jesus Fonseca, que saiu do distrito de Lerroville para receber o pagamento da aposentadoria. "Meu cartão não passa no caixa eletrônico porque é velho e venho todo dia 1º só para pegar o dinheiro. É ruim, porque vou atrasar o pagamento das contas", disse.
Para o professor Anderson Douglas Manganaro, houve falta de respeito com os clientes. Ele precisava tirar uma dúvida em uma agência do centro da cidade sobre o pagamento de uma transferência de documento de veículo, mas não encontrou ninguém que pudesse ajudá-lo. "A greve impede que a agência abra, ok, mas tem de ter alguém para dar uma orientação. É o mínimo para o bom funcionamento do banco."
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