Greve de portuários parou Paranaguá
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Carmem Murara 
Depois de 24 horas de paralisação, os portuários do Porto de Paranaguá concordaram ontem em liberar parte do terminal para a carga e descarga de navios, mas vão manter paralisado, até 17 horas de hoje, o Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecom). A decisão de retomar parcialmente as atividades foi definida à tarde, após uma reunião no Palácio Iguaçu entre sindicalistas, representantes do consórcio Redram/Transbrasa e o governador Jaime Lerner.
O impasse no Porto de Paranaguá se dá por causa do sistema de contratação de mão-de-obra que a Redram quer implantar no Tevecom - setor que foi concedido pelo governo do Estado ao consórcio privado pelo prazo de 20 anos. A Redram quer empregar 60 trabalhadores fixos com carteira assinada, enquanto os portuários insistem em manter o sistema de rodízio, que garante emprego temporário a 1,6 mil arrumadores (funcionários que movimentam os contêineres em terra).
O estopim da greve, na noite desta quarta-feira, foi um navio que atracou no Tevecon e que seria carregado pelo novo sistema de utilização de mão-de-obra. A gente se revoltou e fechamos as entradas do Porto, contou o diretor-secretário do Sindicato dos Condutores, Luis Henrique Coelho. Durante a tarde, os ânimos se acirraram e um grupo de arrumadores tentou apedrejar e virou um carro da reportagem do SBT.
A direção do Porto de Paranaguá informou que a greve atingiu 70% do terminal, mas que houve movimentação normal de farelo de soja, açúcar e outros produtos a granel. Doze navios estavam atracados no cais normal e dois no pier destinado a produtos inflamáveis. Outros 12 aguardam ao largo para fazer a movimentação. Segundo Coelho, durante todo o dia somente o Corredor de Exportação do Porto não sofreu paralisação.
Na reunião com os sindicalistas, o governador Jaime Lerner deixou claro que o impasse entre os trabalhadores e a diretoria da Redram não diz mais respeito ao governo, pois a adminsitração do terminal foi repassada para a iniciativa privada. Mesmo assim, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) vai continuar a acompanhar as negociações. Eu confio no Osires (Osires Stenghel Guimarães, superintendente do Porto). Ele vai representar o governo neste caso, afirmou Lerner aos sindicalistas e representantes da Redram. O dia de hoje será destinado a mais negociações entre as partes envolvidas.


