A greve de caminhoneiros que paralisou trechos de 46 rodovias no Paraná causou uma corrida de motoristas aos postos de combustíveis de Londrina, diante da suposta ameaça de desabastecimento. Filas de até três quarteirões se formaram em frente a varejistas por toda a cidade e houve casos de reajuste de preços relatados por motoristas e flagrados pela FOLHA, como o de um revendedor na região central que comercializava gasolina a R$ 3,94.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), alguns postos ficaram sem gasolina ou etanol devido à alta procura de consumidores. Entretanto, não há risco aparente de que a situação perdure porque a demanda deve diminuir hoje. "Não há notícia de caos, mas de que a greve tem atrapalhado a entrega e provocado corrida de motoristas aos postos", disse o diretor regional da entidade em Foz de Iguaçu, Walter Venson.
Por outro lado, a assessoria do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) informou, em nota, que a greve tem causado graves problemas de suprimento às bases de distribuição pelo País. "O problema já foi comunicado às autoridades estaduais e federais, além das superintendências regionais da Polícia Rodoviária Federal, pedindo apoio na liberação e escolta para a passagem de veículos de transporte."
Ainda de acordo com Sindicom, a logística demorará a se normalizar após o fim da paralisação. A assessoria de comunicação da Petrobras Distribuidora informou que não há informações específicas sobre problemas.
O proprietário do Auto Posto Cupimzão Londrina, Diogo Decker, afirmou que caminhoneiros teriam tentado fechar na manhã de ontem o acesso a distribuidoras, mas que o transporte foi feito normalmente pelo município, sem passar por rodovias. Ele teme que a tentativa seja bem sucedida hoje. O gestor do Posto Vale do Reno, Márcio Cândido, disse não espera ter problemas. "Deve acabar a gasolina por causa da fila, mas está programado para recebermos mais."
Diretor regional em Londrina do Sindicombustíveis, Cláudio Mônaco afirmou que a entidade anteviu a estratégia de "barricada". "Levantamos essa possibilidade de fecharem acessos às distribuidoras e pedimos ao governo estadual para que faça a escolta de caminhões até os postos, porque se trata de um produto de primeira necessidade."

Preço mais alto


A reportagem flagrou um posto do Centro que reajustava o valor da gasolina na tarde de ontem. O frentista elevava o valor do litro de gasolina de R$ 3,79, já acima da média da região (R$ 3,39), para R$ 3,94. O etanol estava a R$ 2,79. Outros estabelecimentos descumpriam a lei que manda deixar os preços em locais visíveis.
O Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Londrina soltou nota ontem, pela qual pede que motoristas denunciem ao órgão reajustes abusivos. "De acordo com o artigo 39, inciso 10º, do Código de Defesa do Consumidor, é considerada como prática abusiva elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços."

Consumidores

Os reajustes não ficaram despercebidos pelos consumidores. "Passei aqui de manhã e a gasolina estava R$ 3,12 e, na volta para o almoço, já estava em R$ 3,35. Não sei se vai faltar, mas preciso do carro", disse a advogada Maria Luiza Ueda. "Acho que corremos o risco de desabastecimento, sim, e os postos estão na hora deles de ganhar dinheiro", completa a promotora de eventos Sonia Ferreira.
Também na fila, o professor André Coneglian defendeu o direito à greve e disse que o brasileiro precisa aprender a "viver no caos", para se posicionar melhor politicamente. "Acho válida a paralisação dos caminhoneiros porque as reivindicações deles são corretas."

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