Greve da Volks em SP afeta produção no PR
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quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- A greve na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) que começou na última terça-feira já começa a afetar a produção na unidade da montadora de São José dos Pinhais, localizada na Região Metropolitana de Curitiba. Ontem, a companhia propôs aos funcionários que deixassem de trabalhar hoje e amanhã por motivos de ajuste de produção. Mas, segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, esta parada teria sido proposta porque a greve em São Paulo estaria provocando falta de peças para a fábrica do Paraná.
Estes dois dias de paralisação na fábrica de São José dos Pinhais vão ser repostos em 30 de setembro. Com isso, deixam de ser fabricados cerca de 800 carros. A proposta foi aceita pelos trabalhadores em uma assembléia realizada ontem na porta da fábrica. A assembléia tinha como objetivo inicial decidir pela paralisação de uma hora em cada turno de trabalho enquanto durasse a greve em São Paulo.
A montadora não confirmou a informação de que a paralisação de dois dias tenha sido provocada por falta de peças. Segundo a Volkswagen, o objetivo é realizar ajuste de produção.
Participaram ontem da assembléia no Paraná cerca de 2.600 trabalhadores que fazem parte do primeiro e segundo turnos. A unidade do Paraná produz o Fox nacional e exportação, o Golf nacional e exportação, o CrossFox e o Audi A3.
O diretor vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Nelson Silva de Souza, disse que a proposta inicial da empresa era repor todos os dias de folga, mas os funcionários não aceitaram. Segundo ele, as paralisações não estão descartadas e os trabalhadores pretendem analisar a conjuntura para tomar esta decisão.
De acordo com ele, existem boatos de demissões no setor de armação da unidade do Paraná. Este setor prepara a estrutura do carro para a colocação da lataria.
A montadora anunciou em 3 de maio a segunda fase do plano de reestruturação que inclui redução de custos e demissões. No Paraná, não devem ocorrer demissões até dezembro, porque, segundo o sindicato, haveria encomendas para manter a produção no nível normal. A partir do início do próximo ano, a empresa deve mandar embora cerca de 900 pessoas, suspender o terceiro turno de trabalho e reduzir a produção para 550 veículos por dia.


