Curitiba - A greve dos funcionários da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) começa a desencadear as primeiras consequências. Segundo o economista do Sindicarne, Gustavo Fanaia, a partir de hoje o abastecimento de carne está ameaçado no Estado. ‘‘Os últimos abates foram feitos no sábado e esses produtos chegaram aos mercados na segunda-feira. Hoje seria dia de renovar os estoques’’, explicou. A preocupação de Fanaia foi manifestada ontem, após o encerramento da assembléia dos servidores, que decidiram manter o movimento grevista iniciado na segunda-feira.
A preocupação maior do Sindicarne é com o abastecimento nas cidades do Interior. ‘‘Em Curitiba, as grandes redes de supermercados vão conseguir vender carne de outros estados, mas no Interior o mercado pode se abastecer de carne clandestina, o que coloca em risco a saúde da população’’, considera. Isso porque os abatedouros clandestinos não possuem equipamentos de refrigeração e quando a carne do animal é mantida em temperatura ambiente, se deteriora rapidamente.
Segundo Fanaia, no Paraná são abatidas 18 mil cabeças de gado por dia. Como hoje a greve entra no seu quarto dia, o prejuízo só nos frigoríficos, já chega a R$ 14 milhões. ‘‘Além disso existe o prejuízo dos produtores, que estão deixando de vender o gado, e dos frigoríficos que têm grandes contratos. Ao atrasar a entrega do produto, esses frigoríficos terão que pagar multa e podem até mesmo perder os contratos’’, avalia.
Os funcionários da Seab decidiram ontem, em assembléia, manter o movimento grevista porque não consideraram suficiente o decreto baixado pelo governador Jaime Lerner (PFL), que garante gratificação de 100% sobre o salário base. O decreto beneficia apenas metade dos 700 funcionários da secretaria.
Segundo o presidente do Sindicato dos Engenheiros, Carlos Roberto Bittencourt, que é do comando de greve, hoje os funcionários dos 20 núcleos regionais e de Curitiba continuam mantendo reuniões para buscar alternativas de propostas que contemplem todos os funcionários. ‘‘Continuamos abertos às negociações’’, declarou.

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