Greve da Receita eleva custo do trigo
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo A greve dos fiscais da Receita Federal está causando prejuízos mensais de R$ 800 mil aos importadores de trigo. O valor é referente aos custos de armazenagem apenas no Porto de Santos, por onde passa 30% do trigo importado pelo País (cerca de 2,5 milhões de toneladas ao ano).
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Trigo, Ricardo Ferraz, o tempo de liberação do produto na alfândega passou de 48 horas para uma semana. ''Isso custa dinheiro'', diz Ferraz, que no início da greve escreveu uma carta para o secretário da Receita, Everardo Maciel, mas até agora não obteve resposta.
Inspeção Os custos para os importadores do trigo só não são maiores porque hoje os dois armazéns de trigo de Santos são ''alfandegados''. Isto significa que a inspeção é feita no próprio armazém, e não mais no momento do descarregamento do produto, eliminando os custos com a permanência dos navios. No entanto, ambos os armazéns estão chegando ao limite de capacidade. ''Se a greve durar mais 15 dias a coisa vai ficar bem complicada'', afirma um trader do setor.
Nos últimos dois dias, os funcionários de Santos decidiram relaxar a mobilização, trabalhando ao ritmo lento da operação-padrão. Porém, de hoje até sexta-feira, quando será realizada uma nova assembléia, o porto permanecerá totalmente parado. Ontem à noite, a fila de contêineres aguardando liberação ultrapassava 6 mil.
A greve começou no dia 9 de abril com operações-padrão e paralisações em dias e portos específicos, tornando-se permanente no início de maio. Os auditores fiscais da Receita, juntamente com os fiscais do Trabalho e da Previdência Social, reivindicam mudanças no plano de carreira e reajuste salarial de 21%.


