Os servidores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) retornaram ontem ao trabalho após a suspensão temporária da greve, que segue até amanhã. O movimento teve início no último dia 25 em todo o País, motivado pela exigência de reposição salarial e reformulação do Plano de Cargos e Carreiras. Segundo informações do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), 22 unidades paralisaram totalmente as atividades. Na última quarta-feira, o Sindicato realizou uma manifestação em Brasília, mas os representantes não conseguiram se reunir com o presidente da Embrapa, Pedro Arraes.
O presidente do Sinpaf, Vicente Almeida, afirma que a reunião de negociação realizada no dia 29 não apresentou avanços significativos. Dos 113 itens discutidos pela Comissão de Negociação, apenas dois foram acordados: a Embrapa propôs reajuste de 12% no valor do tíquete alimentação, que passou de R$ 25 para R$ 28 por dia, mantendo-se 22 dias de fornecimento por mês. A empresa também propôs o aumento no prazo de notificação da visita do técnico de insalubridade e periculosidade às seções sindicais de 15 dias para 15 dias úteis.
Em relação ao aumento salarial, não houve apresentação de novas propostas. O movimento espera receber um aumento de 10,10%, representando 5% acima da inflação. A Embrapa manteve a oferta inicial de um reajuste de 5,10% para cobrir as perdas em relação ao índice anual. Segundo Almeida, a Embrapa solicitou a retirada de alguns direitos já estabelecidos aos servidores, como a redução da idade dos dependentes que recebem auxílio-creche, pré-escola e babá e também o fim da liberação em dia de pagamento.
Diante do novo acordo apresentado, a categoria optou por suspender a paralisação até amanhã, período durante o qual irá analisar o texto. O Acordo Coletivo foi prorrogado até sexta-feira e os servidores realizarão assembleias entre quinta-feira e sexta-feira para deliberar sobre a proposta. A direção nacional do Sinpaf encaminha pela rejeição. ''A grande maioria está propensa a não aceitar o acordo nas atuais condições. Se não houver nova proposta da Embrapa até quinta-feira, poderemos paralisar novamente'', avalia. Nas 47 unidades de pesquisa, a Embrapa reúne 9.750 servidores.

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