As empresas operadoras do Porto de Paranaguá calculam que o primeiro dia de greve dos estivadores pode ter causado um prejuízo de R$ 3 milhões para todos os setores no terminal. Os 2,4 mil estivadores entraram em greve ao meio-dia de ontem, depois de uma operação padrão de 48 horas. A continuidade da greve depende de um acordo. Os estivadores se reuniram em assembléia no início da noite, e até o fechamento desta edição, a proposta era manter a greve.
O impasse não é mais por reposição salarial. As operadoras aceitam pagar o reajuste de 21% pedido pelos estivadores. O problema é a condição que o Sindicato dos Operadores impõe para manter a negociação. O sindicato quer firmar a convenção coletiva, que prevê a recomposição de equipes no processo de racionalização dos serviços. O presidente do sindicato, Silvio Gori, diz que a modernização dos portos passa por alterações na forma de trabalho. ‘‘O movimento deles é retrógrado e incompatível com as mudanças que precisam ser feitas’’, afirmou Gori.
Navios ao largoA greve dos estivadores acabou parando todos os demais setores do Porto de Paranaguá, como o embarque de cargas. Na terça-feira, foram embarcadas 56 mil toneladas de produtos, sendo que 48 mil toneladas eram soja. Ontem, o carregamento dos navios totalmente interrompido.
Ao contrário das agências operadoras, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina não arrisca falar ainda de prejuízo. A assessoria do porto informou que o maior prejuízo é para o armador, que perde entre R$ 10 mil e R$ 20 mil por dia como o navio parado no cais. A administração do porto apenas tem um adiamento da receita.
O cais do porto está com 10 navios atracados para embarcar soja e carga geral. Outros 21 navios estão ao largo esperando vaga para atracar. Há ainda 11 navios que devem chegar nos próximos dias, o que provocará um congestionamento.
Os caminhões também aguardam para desembarcar a soja. A assessoria do porto disse que a fila de mais de 10 quilômetros que se forma no pátio de triagem e na BR-277 não é consequência da greve, mas do início da safra. Por dia, chegam 1,4 mil caminhões. O atraso por causa da greve só irá acontecer se o movimento continuar por mais cinco dias, quando os armazéns lotarem. Em princípio, a greve seria apenas de 72 horas.

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