Greve atinge produção do Centro-Sul
O movimento já provoca prejuízos significativos para a produção agroindustrial de todo o Centro-Sul do País, que começa a parar por falta de matéria-prima. Com a dificuldade de receber e escoar a produção, a Batavia, empresa de Carambeí que industrializa laticínios, aves e suínos das cooperativas Batavo, Capal e Castrolanda suspendeu o expediente de hoje nos abatedouros. Ontem, os caminhões de ração não entregaram o produto nas granjas, para alimentação dos animais e os produtores estão preocupados com a possibilidade de perda por falta de alimentos. Três carretas carregadas com leite e derivados da Batavia que se dirigiam a Curitiba ficaram bloqueados e a carga já estava dada como perdida.
Em Maringá, a Transcocamar, empresa de transportes da Cocamar não entregou 750 mil litros de óleo de soja destinados aos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Sul de Minas e Curitiba. O Sindicato da Indústria de Carnes informou que as distribuidoras de carne receberam metade do volume de carne que recebem para o abastecimento de Curitiba. Na região Norte, a greve dos caminhoneiros está prejudicando o escoamento da safrinha de milho, laranja e de açúcar, sendo os dois últimos produtos destinados ao mercado de exportação.
Parmalat e Sadia, por exemplo, estão, cada uma, com três fábricas paralisadas por causa do bloqueio no fluxo de matérias-primas e produtos acabados. A fábrica da Cargill de Mairinque (SP), que processa soja, suspendeu as atividades a partir de hoje por falta de matéria-prima.
Cooperativas e exportadores também começam a contabilizar perdas da produção de leite, aves, suínos, laranja, açúcar e grãos, mas ainda não têm números exatos do prejuízo. Segundo o diretor de Relações com o Mercado da Sadia, Luiz Gonzaga Murat Júnior, 20% dos caminhões estão retornando às fábricas sem distribuir a carga. ‘‘O desabastecimento preocupa muito, não sabemos o volume de estoques das redes de supermercados.’’ Ele conta que das onze fábricas, três (Paranaguá, Chapecó e Várzea Grande ) estão paradas e brevemente outras poderão suspender as atividades.
O diretor de Relações Institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes, afirma que o problema é mais sério na região oeste de Santa Catarina e em todo Paraná, colocando em risco os plantéis existentes nas granjas, que estão ficando sem alimentos. Ele acrescenta que, por enquanto, a paralisação dos caminhoneiros não afetou as exportações porque as indústrias contam com estoques nos portos em volume suficiente para carregar os navios que estão atracados. (Vânia Casado e agências)

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