Greve acumula peças e insumos em aeroporto
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quarta-feira, 17 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As peças importadas pelas fábricas do pólo automotivo do Paraná e insumos para as indústrias químicas estão se acumulando nos galpões na Infraero, no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. As mercadorias não estão sendo autorizadas para serem retiradas porque estão embaladas com madeira, material que exige autorização dos fiscais agropecuários que estão com suas atividades paralisadas. O movimento entra hoje no quarto dia de greve.
As embalagens de madeira oriundas de outros países precisam ser vistoriadas pelos fiscais agropecuários, pelo temor da infestação de pragas de outras localidades do mundo nas florestas brasileiras. Sem a autorização dos fiscais, nenhuma embalagem pode sair do aeroporto, disse o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários, Hugo Caruso.
Segundo Caruso, a paralisação dos caminhões na fronteira do Paraná com o Paraguai se agravou ontem. Havia mais de mil caminhões carregados com soja, milho e farelo, aguardando do lado paraguaio autorização da aduana para entrar no Brasil. Na aduana, o pátio estava lotado com a presença de 350 caminhões, cujas mercadorias estão sem autorização para exportação e o certificado de sanidade emitida pelos fiscais agropecuários.
Ainda de acordo com o movimento grevista, os frigoríficos devem paralisar os abates a partir de hoje. Segundo eles, muitos frigoríficos estão com suas câmaras frias lotadas e não têm mais onde estocar mercadorias. O Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes) não confirmou essa informação, alegando que os frigoríficos exportadores conseguiram liminar na Justiça para exportar seus produtos.
Apesar disso, os frigoríficos passaram por período de constrangimento anteontem no Porto de Paranaguá. Mesmo com a medida judicial, liberando as exportações desde que os frigoríficos contratassem profissionais para emitir o certificado de sanidade, a Receita Federal em Paranaguá não reconheceu a decisão e paralisou as exportações. Com isso, os frigoríficos ficaram mais um dia sem mandar mercadorias para cumprir contratos com o exterior. Foi preciso a intervenção da juíza da 8Vara Federal de Curitiba, Vera Lúcia Feil, que enviou uma intimação para a Receita Federal cumprir decisão judicial.
As indústrias abatedouras de aves prometem paralisar os abates a partir de hoje porque não estão conseguindo exportar a mercadoria. O Sindiavipar entrou com pedido de liminar na Justiça Federal, mas ainda não havia sido concedida. Os fiscais estão aguardando proposta do governo federal que contemple a reivindicação da categoria que está pleiteando reajustes que variam de 34% a 79% nos salários.


