Curitiba - Após cinco dias de paralisação total, o Porto de Paranaguá voltou a funcionar ontem. Trabalhadores e operadores portuários concordaram em por fim ao movimento após reunião com o governador Roberto Requião (PMDB), na noite de terça-feira. O fim da greve, porém, não solucionou de imediato a principal reivindicação dos caminhoneiros parados na BR-277 que exigem o pagamento de estadias. A fila de caminhões chegou a quase 100 quilômetros, até o Contorno Leste, em Curitiba. Ontem, 46 navios esperavam para atracar, segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).
Requião convenceu os líderes de sindicatos de trabalhadores a retornarem às atividades com a promessa de que vai atender às reivindicações de reajustes salariais apresentadas. Para o sindicato dos operadores portuários houve a promessa de abertura de diálogo e maior discussão em torno das medidas administrativas adotadas pela superintendência do porto. Requião não cedeu à principal reivindicação da categoria que era a demissão do superintendente do porto, Eduardo Requião, e toda a diretoria da Appa.
O bloqueio no Porto de Paranaguá iniciou na quinta-feira da semana passada, quando os caminhoneiros fecharam o pátio de triagem do porto, impedindo o carregamento. Em seguida, os sindicatos de trabalhadores e dos operadores portuários pegaram carona no movimento, argumentando a inviabilidade do porto e tentaram tirar o superintendente Eduardo Requião do posto. Com isso, foram seis dias de tumulto no porto que geraram prejuízos para toda a economia do Paraná.
O superintendente do porto, Eduardo Requião, disse que não é possível dimensionar os prejuízos econômicos. Ele afirmou que o maior prejuízo recaiu sobre a credibilidade nacional, bastante afetada, porque o Porto de Paranaguá é o maior terminal para embarque de grãos do mundo e segundo maior gerador de divisas cambiais no País. No ano passado, foi responsável pela entrada de US$ 6 bilhões em divisas cambiais para o Brasil.
As operações portuárias iniciaram lentamente desde as 7 horas da manhã de ontem, quando 800 portuários e estivadores apresentaram-se ao serviço. Inicialmente houve embarques em três navios que carregaram farelo de soja, milho e carga de congelados. Dois desses navios deveriam ter ido embora ontem à noite. Aos poucos os agentes portuários foram emitindo as ordens de serviço e por volta de meio-dia cerca de 60% das atividades portuárias já tinham sido restabelecidas.
À noite, o movimento foi acelerado com embarques diretos dos silos do Corredor de Exportação, que estavam com capacidade lotada, diretamente para os navios. Nove navios estavam se movimentando para atracar no porto. Por volta de uma hora da manhã de hoje está prevista a atração de um navio para carregar 50 mil toneladas de soja, o equivalente à carga de 700 caminhões.
O movimento do porto está restrito ao deslocamento de carga dos silos para os navios, porque os caminhões não estavam descarregando. A capacidade dos silos do Corredor de Exportação é de 1 milhão de tonelads de granéis (soja, milho e farelo), e a movimentação pode atingir no máximo 100 mil toneladas por dia. Com isso, os estoques são suficientes para movimentação de aproximadamente dez dias, caso a paralisação dos caminhoneiros se prolongue por mais tempo.

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