Greenspan pede fim das barreiras
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Agência EstadoDe Washington 
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Alan Greenspan, declarando que os manifestantes contra a globalização estão equivocados, disse ontemque os Estados Unidos precisam resistir aos insistentes pedidos para erigir barreiras comerciais protecionistas.
Greenspan disse ao Congresso que a remoção constante de barreiras comerciais no último meio século contribuiu para uma forte prosperidade nas últimas décadas. Essa prosperidade poderá ser prejudicada por barreiras que protejam os setores empresariais domésticos ameaçadas pelo aumento das importações, disse.
Os Estados Unidos têm estado na linha de frente da abertura pós-guerra dos mercados internacionais, muito para nosso benefício e para benefício do restante do mundo, disse Greenspan. Seria uma grande tragédia se esse processo fosse interrompido ou revertido.
Greenspan depôs perante o Comitê de Finanças do Senado no momento em que os republicanos estão tentando conquistar apoio para uma tentativa do presidente George W. Bush de obter a autorização para negociar de que precisa para fazer novos acordos comerciais.
Greenspan, que tem falado frequentemente sobre os benefícios econômicos advindos do livre comércio, repetiu esses pontos de vista ontem. No seu depoimento por escrito, não fez qualquer menção à atual situação econômica nem à grande queda das bolsas.
Investidores de Wall Street têm esperanças de que o Fed, que já reduziu as taxas de juros três vezes este ano, faça isso novamente visando dar um empurrão no crescimento econômico e melhorar as perspectivas de lucro para as empresas americanas.
Greenspan disse lamentar o fato de os defensores do livre comércio muitas vezes argumentarem que baixar as barreiras irá criar empregos. Ele disse que maiores fluxos de comércio aumentam a produtividade por obrigarem as empresas domésticas a se tornarem mais competitivas mas não o nível geral de empregos.
Como prova de que o comércio não tem relação com os níveis de emprego, citou o fato de que a taxa de desemprego no EUA caiu no ano passado para o ponto mais baixo em três décadas, mesmo que o déficit comercial tenha atingido uma alta recorde.
Greenspan disse, também, que um país ganha com o comércio simplesmente baixando barreiras quer outras nações façam o mesmo quer não. Proteger os mercado de novas tecnologias nunca funciona. Retardar os ajustes a novas tecnologias resulta em custos significativos, acrescentou.
Ao tratar da preocupação gerada pelos manifestantes contra a globalização em Seattle em 1999 e em outros eventos comerciais do gênero, Greenspan considerou seus pontos de vistas bem-intencionados mas equivocados.


