Os mercados tendem a manter sua aposta em queda dos juros norte-americanos na próxima reunião do Federal Reserve, dia 31, mesmo que o pronunciamento de ontem do presidente do Fed, Alan Greenspan, no Senado dos EUA, não tenha dado sinais tão claros disso – pelo menos comparativamente ao que ocorreu em dezembro do ano passado.
O eixo da fala de Greenspan foi seu apoio inesperado à idéia de corte de impostos, proposta básica do recém-empossado presidente dos EUA, George W. Bush. Greenspan afirmou que a redução da carga tributária beneficiaria a economia no longo prazo. Destacou também que a economia norte-americana provavelmente vai registrar crescimento zero no primeiro trimestre deste ano, mas que não está claro se os EUA estão entrando em recessão. ‘‘Até onde podemos julgar, nós tivemos uma desaceleração muito dramática. Neste momento, provavelmente estamos muito perto de crescimento zero’’, afirmou ele.
Em São Paulo, base do mercado financeiro brasileiro, os operadores de plantão que acompanharam o pronunciamento de Greenspan neste feriado paulista, acreditam que nada mudará nas perspectivas dos investidores. O mercado continuará esperando tanto uma queda nos juros norte-americanos, quanto uma redução na taxa Selic – o juro básico brasileiro – na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dia 14 de fevereiro.
Ontem não funcionaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O dólar comercial manteve-se em alta ontem, pelo terceiro dia seguido. A moeda encerrou o dia cotada a R$ 1,975, com avanço de 0,20% sobre o fechamento de anteontem. Esse resultado ampliou o ganho do comercial frente ao real neste mês, até agora, para 1,23%. Durante todo o dia, o comercial operou em alta, mas com fraca volatilidade. O preço da moeda oscilou apenas 0,25% ontem, entre a mínima de R$ 1,972 (+0,05%) e a máxima de R$ 1,977 (+0,30%).
Os operadores afirmaram que os números das contas externas do País divulgados ontem, mostrando pequeno recuo do déficit em transações correntes em 2000, foram bons, mas não houve surpresa nem impacto nas transações com dólar.

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