Greenspan aponta retomada e estudo alerta para recessão
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Das agências 
São Paulo - A economia americana voltou a se recuperar a partir de julho, depois da perda de fôlego nos dois meses anteriores com a alta do petróleo, disse ontem o presidente do Federal Reserve (o banco central dos EUA), Alan Greenspan.
As declarações serviram para consolidar no mercado a percepção de que o banco elevará, em 21 de setembro, a taxa de juros pela terceira vez consecutiva. Em depoimento ao Congresso, Greenspan destacou que dois indicadores-chaves, os gastos dos consumidores (responsáveis por cerca de dois terços do PIB) e os com construção, mostraram recuperação em julho, após fraca performance em junho.
A melhora da economia também foi citada pelo Livro Bege, relatório periódico sobre as condições econômicas do país, que compila dados dos relatórios dos 12 bancos regionais do Fed. ''A atividade econômica atingiu uma transição comedida no fim da primavera (no hemisfério Norte), depois de uma expansão mais vigorosa no segundo semestre de 2003 e no início de 2004. (Mas) os dados mais recentes sugerem que, como um todo, o crescimento recuperou alguma tração'', afirmou Greenspan, que não quis comentar a taxa de juros.
Em relação à desaceleração, ele disse que, ''sem dúvida, ela tem relação, em larga medida, com o precipitado aumento, neste ano, dos preços de energia''.
Esse aumento atinge diretamente o consumo das famílias, pois as deixa com menos dinheiro para gastar com outros itens. Em junho, esse indicador registrou a primeira queda (-0,2%) desde setembro de 2003, influenciado principalmente pelo declínio no setor automotivo. No mês seguinte, porém, o consumo se recuperou e cresceu 0,8%.
Alerta de recessão - Economistas da Universidade da Califórnia (UCLA) alertaram ontem sobre a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos nos próximos dois anos. No relatário intitulado ''Economia nos Estados Unidos: prelúdio de uma recessão'', elaborado pela UCLA, o economista Michael Bazdarich disse que se opõe ao consenso de Wall Street, que acredita que a economia nacional esteja em um período de crescimento que irá se fortalecendo.
Segundo Bazdarich, os dados mostram o contrário, que uma recuperação está bem mais longe. ''Uma redução no consumo pode induzir a uma recessão nos próximos dois anos'', afirmou o chamado informe Anderson. ''É mais provável que ocorra uma recessão do que um crescimento econômico'', destacou Bazdarich.
Para os autores do estudo, no melhor dos casos, em 2005 e 2006 haverá um crescimento de 3,3% na economia americana. ''Isto é o que pode acontecer no melhor dos casos'', avaliou Bazdarich. O informe Anderson, elaborado pela UCLA, prevê também um lento crescimento na Califórnia este ano, que depois vai se reverter em 2005 e 2006. ''As implicações econômicas do déficit fiscal (do qual o Estado sofre há dois anos) não são boas'', opinou o economista Joseph Hurd.


