Greenpeace segura navio em Paranaguá
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segunda-feira, 03 de maio de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Ativistas do Greenpeace estão impedindo a entrada do navio Global Wind, de bandeira argentina, no Porto de Paranaguá. O navio, carregado com 30 mil toneladas de soja transgênica, veio ao porto paranaense para carregar mais 10 mil toneladas de soja, no chamado mercado ''spot'', que completa a carga. Os ativistas estão se revezando desde a manhã de ontem, ao se prenderem à corrente da âncora do navio carregando uma faixa que identifica a carga como transgênica.
O protesto está chamando a atenção para evitar a contaminação da soja carregada no Porto de Paranaguá. Os ativistas querem acabar com o mercado ''spot'', porque acreditam que esse mecanismo da mistura de grãos pode provocar sérios prejuízos à soja convencional exportada por Paranaguá. A ação no porto paranaense faz parte da expedição ''Brasil Melhor sem Transgênicos'', que a organização não governamental realiza a bordo do navio Artic Sunrise.
Não há prazo definido para encerrar o protesto. Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace, disse que o manifesto vai durar o tempo necessário para que as demandas da organização sejam atendidas. ''O Greenpeace não vai permitir que transgênicos vindos de outras partes do Brasil e do mundo contaminem o único porto não transgênico do Brasil, que é Paranaguá'', afirmou.
São três as reivindicações enviadas aos ministérios, em Brasília. O Greenpeace quer que o governo federal proíba de forma definitiva esse tipo de operação, de completar cargas nos portos. Que o governo federal apóie as iniciativas do governo do Paraná e da Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (Appa), que está evitando a exportação de soja transgênica. E ainda, colocar em prática medidas de controle e fiscalização para a soja transgênica do Rio Grande do Sul, para que ela seja devidamente rotulada para a venda nos mercados interno e externo.
Paoli justificou que o Greenpeace quer proteger as vantagens sócio-econômicas do Brasil, devido ao aumento da demanda por soja não transgênica em todas as partes do mundo, principalmente na Europa. Ela lembrou que no último dia 18 entrou me vigor uma legislação na Europa que obriga a rotulagem da ração animal. ''E como 80% da soja exportada pelo Brasil aos países europeus vão para ração animal, o Greenpeace acredita que o País terá uma vantagem competititiva nas suas exportações de soja em grão e farelo'', afirmou.
O Greenpeace está no Paraná desde a semana passada. Houve manifestação em Curitiba. Os ativistas envolveram-se numa acalorada discussão num supermercado em Curitiba. Eles tentavam afixar cartazes alertando a presença de transgênicos em produtos nas prateleiras, quando foram abordados por seguranças.


