Greenpeace quer Brasil livre dos transgênicos
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Especialistas internacionais e técnicos do Greenpeace (entidade internacional que luta pela defesa do meio ambiente) consideram o Brasil como um país estratégico na defesa internacional dos produtos convencionais e não transgênicos. De acordo com o especialista chinês, Angus Lam, os mercados estão se abrindo para a comercialização cada vez maior da soja convencional e orgânica. ''Algum País, como o Brasil, precisa ser o grande fornecedor para esses mercados. É um futuro promissor para quem quer investir em exportações'', afirmou Lam.
De acordo com ele, desde novembro de 2004 a China declarou o País como livre dos transgênicos e tem apostado na compra de soja convencional. O Brasil é atualmente um dos maiores exportadores, respondendo por 31% da soja que entra na China. ''As leis estão ficando cada vez mais severas. Por enquanto, o Brasil exporta. Mas se ele não se colocar à frente dessa batalha vai ser um dos grandes perdedores nesse processo de exportação'', disse.
O geneticista e analista de mercado do Greenpeace, Lindsay Keenan, afirmou ontem que a União Européia também tem importado apenas produtos livres de transgênicos. ''Isso representa que o Brasil poderá aumentar cada vez mais a demanda por exportação de soja convencional. Essa não é uma política que nasceu ontem nos países europeus. É uma política que está sendo aplicada há qutro anos e que continuará no futuro'', pontuou Keenan, durante a entrevista coletiva à imprensa.
O analista e consultor do Greenpeace na Alemanha, Stephan Flothman, disse que o país dele é um grande consumidor de soja em grãos e farelo de soja não transgênica. Anualmente são consumidos 7 milhões de toneladas de soja. Cerca de 74,4% dos consumidores alemães rejeitam o transgênico e 99% das empresas não usam transgênicos na composição de seus produtos. Dos atuais 17 milhões de áreas com cultivos agrícolas, 11,6 milhões é de produtos livres de transgênicos.
O diretor do Greenpeace no Brasil, Frank Guggenhein, fez ontem um apelo para que o Congresso Nacional não aprove a Lei de Biossegurança. ''Não podemos abrir o Brasil para a livre comercialização de transgênicos. O mercado e o meio ambiente clamam por mudanças e por declaração de área livre de transgênicos'', declarou ele. O governador Roberto Requião se colocou à disposição do Greenpeace na luta internacional contra os transgênicos. ''Vamos apoiá-los em qualquer lugar em que o grupo esteja. Assim como tivemos apoio aqui também no Paraná. Acho que estamos vitoriosos nessa nossa luta, apesar do Ministério da Agricultura'', complementou.


