Porto Alegre – Um grupo de 20 ativistas do Greenpeace ‘‘devolveu’’ uma tonelada de ração com farelo de soja transgênica à Bunge Alimentos, em Porto Alegre, ontem. Os sacos do produto foram deixados em frente à fábrica do bairro São Geraldo depois de serem etiquetados com um adesivo com a frase ‘‘Pode conter transgênicos’’.
  Durante a ação, um militante fantasiado de frango carregava a faixa ‘‘Comi transgênico, comi Bunge’’ enquanto os outros distribuíam panfletos aos motoristas que paravam na Rua Voluntários da Pátria. De posse de um laudo emitido pelo laboratório Genescan do Brasil, informando que a ração para frangos da marca Vitosan contém 4,5% de farelo de soja transgênica em sua composição, os militantes protestaram contra a empresa e o governo federal.
  Eles querem que a Bunge deixe de usar organismos geneticamente modificados em seus produtos até que seja capaz de cumprir a legislação e informar o consumidor sobre o conteúdo de seus produtos. E pedem ao governo as medidas necessárias à implementação da rotulagem, exigida pela legislação para produtos com mais de 1% de transgênicos, mas ainda não adotadas pelo Ministério da Agricultura.
  ‘‘O governo não pode pensar na liberação do plantio comercial de transgênicos se não consegue fiscalizar e nem garantir o direito do consumidor de saber se está comprando um produto geneticamente modificado’’, advertiu a agrônoma Tatiana de Carvalho, coordenadora da campanha de consumidores do Greenpeace Brasil. Os manifestantes entregaram uma carta à empresa apresentando seus pedidos. O documento foi recebido pelo supervisor da unidade, Ânderson Silva, que se absteve de falar sobre o assunto. Durante o protesto, os portões da fábrica de ração ficaram fechados.

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