Greenpeace alerta para misturas na soja
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sexta-feira, 16 de julho de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O Greenpeace lançou ontem um dossiê sobre a contaminação transgênica (mistura de grãos geneticamente modificados) em lavouras orgânicas ou convencionais de soja. Os textos e vídeos tratam de assuntos como polinização cruzada, mistura de sementes transgênicas com convencionais no maquinário agrícola ou nos silos, e royalties.
O objetivo foi alertar os agricultores sobre os riscos da contaminação transgênica e suas consequências. A exibição do dossiê foi no Parque Barigui, no galpão de eventos onde está sendo realizada a 5 Feira de Sabores do Paraná, que conta com a participação de agricultores e cooperativas.
Segundo o engenheiro agrônomo do Greenpeace, Ventura Barbeiro, com a contaminação da soja, o agricultor não pode vender sua produção como soja convencional para cooperativas, como a Cotrimaio, de Três de Maio (RS), que paga os melhores preços pelo produto convencional. ''Além disso, caso seja detectada a transgenia, o agricultor fica obrigado a pagar roylaties por uma tecnologia não utilizada voluntariamente'', disse.
Evitar a contaminação também gera um custo para o produtor, que tem que arcar com a despesas da limpeza do maquinário e a separação entre sementes não-transgênicas e transgênicas para a venda da safra. Outro problema acarretado pela contaminação por soja transgênica, citado por Barbeiro, é o surgimento de ervas daninhas tolerantes ao glifosato, provocando maior uso de herbicidas. Para exemplificar o caso, Barbeiro citou um caso que ocorreu nos Estados Unidos: ''Na introdução da soja transgênica houve uma pequena redução no uso de herbicidas. Em compensação, aproximadamente seis anos depois, o uso do produto triplicou. Isso porque a planta vai criando resistência. É um método de agricultura insustentável'', acrescenta Barbeiro.
''A contaminação é um fato. As soluções seriam o não plantio da soja transgênica ou então a criação de um mecanismo de proteção à soja convencional. Exigimos a criação deste mecanismo. Agricultores que tiveram sua produção convencional contaminada não podem mais pagar royalties. Isso não é justo.''
O agricultor Luiz Antônio Schio, de Tupanciretan (RS), nunca plantou soja transgênica, mas teve sua produção contaminada pela plantação de um vizinho, uma vez que a soja transgênica pode contaminar num raio de até sete metros. ''Se o vento for forte, essa contaminação pode ir até mais longe'', disse o agricultor. ''Tive sorte por colher a soja da região contaminada, e, assim, não tive que pagar royalties.'' Schio não pretende plantar soja transgênica, mesmo não havendo diferença de preço na comercialização. ''Enquanto não for comprovado que a soja transgênica não compromete a saúde eu não a plantarei.''
Segundo Barbeiro, para descontaminar uma área de plantação de soja transgênica são necessários, no mínimo, dois anos. O dossiê do Greenpeace sobre os riscos da contaminação de soja convencional por transgênica será divulgado também, nos próximos dias, em Porto Alegre (RS) e em Cuibá (MT).


