Greening devasta pomares norte-americanos
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Com quase 100% dos pomares de laranja contaminados pelo huanglongbing (HLB), mais conhecido como greening, o estado da Flórida, localizado ao sul dos Estados Unidos, vive uma das piores crises presenciadas pela citricultura americana. Somente na atual safra, 30% dos frutos já caíram dos pés devido à doença, segundo apurou uma recente comitiva brasileira ao país promovida pela Cooperativa Cocamar.
Um dos integrantes da comitiva, o pesquisador Rui Pereira Leite, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), afirma que o Brasil está bem mais confortável em relação à doença se comparado aos EUA. No Paraná, por exemplo, o índice de infestação dos pomares varia de 4% a 6%. Em São Paulo, maior produtor de laranja do País, o índice chega a 14%, segundo dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
Há dez anos o Brasil registrava no interior de São Paulo o primeiro foco de greening, um ano antes do primeiro detectado nos EUA. O pesquisador do Iapar afirma que, diferente dos americanos, os brasileiros tomaram medidas mais eficientes de controle da doença, como a erradicação total dos pés infectados. "Na Flórida não houve uma atuação imediata", lamenta Leite.
Mesmo com o cenário favorável em relação à citricultura americana, Leite enfatiza que o produtor brasileiro não deve baixar a guarda. Ele alerta que se o Brasil descuidar dos seus pomares, toda a citricultura pode ser comprometida pelo greening, igual ao que tem ocorrido na Flórida. "Temos que manter o esforço para deixar a doença sob controle", salienta o pesquisador do Iapar.
Ele completa que o trabalho de erradicação do pé realizado no Brasil pode servir de exemplo para os Estados Unidos. "Aqui a legislação é bastante rígida", observa Leite. Contudo, lembra o especialista, o citricultor deve estar sempre em alerta para perceber os primeiros sintomas da doença. O especialista descreve que uma planta contaminada apresenta amarelecimento das folhas, frutos deformados, entre outros sinais.
O pesquisador destaca que o greening pode ser confundido com outras moléstias que atacam a citricultura, por isso é necessário que, ao identificar um material suspeito, o produtor mande uma amostra para um laboratório. "É muito importante que o citricultor faça inspeções constantes em seus pomares", completa Leite.
Histórico
A explicação para o alto grau de infestação com greening na Flórida está antes mesmo de aparecer o primeiro foco da doença no estado americano, ocorrido em 2004. Renato Beozzo Bassanezi, pesquisador do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), explica que antes do HLB, a Flórida sofreu muito com o cancro cítrico, disseminado por todo o estado por meio dos furacões que atingem aquela região. Naquela época, conta o especialista, os produtores eram instruídos a eliminar os pés com cancro.
"Quando apareceu o greening, os citricultores decidiram que não iam mais erradicar nenhum pé de laranja", lembra. Essa atitude, observa Bassanezi, foi um erro, já que a erradicação da planta é a solução para o controle da doença. O especialista observa que os americanos basearam o controle do HLB somente no extermínio do psilídio, que é o inseto transmissor. "Além disso, o número de aplicações nos EUA é menor. Lá são realizados de 6 a 8 aplicações de inseticidas, enquanto em São Paulo é de 12 a 20 pulverizações por ano", observa.
Bassanezi afirma que o produtor deve fazer, pelo menos, quatro vistorias anuais para verificar se há plantas contaminadas. Com o greening, a Flórida deve colher neste ciclo apenas 110 milhões de caixas de 40,8 quilos cada, contra 154 milhões referente à safra passada.



