Grécia e Eurogrupo têm reunião de urgência
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Agência Estado 
PARIS - Um dia inteiro de negociações ainda não foi suficiente para que ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) chegassem a um acordo, nesta quarta-feira, 11, em Bruxelas, sobre as modalidades da renegociação da dívida da Grécia. A reunião de urgência fora convocada para lançar as bases da rediscussão entre Atenas e seus credores públicos - a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE), os bancos centrais nacionais e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A reunião marcou a estreia do ministro de Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, como membro do Eurogrupo. Seu objetivo é obter um acordo com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI (a chamada "Troica") para reduzir o peso da dívida do país, que em outubro de 2014 - último dado oficial - chegava a 316 bilhões, ou 175% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Para tanto, Atenas propõe um acordo transitório, que suspenderia as medidas de austeridade mais duras até setembro, assim como os reembolsos de dívidas avaliados em 25 bilhões em 2015, e permitiria ao primeiro-ministro lançar medidas "humanitárias" consideradas mais urgentes, cujo custo é estimado em 2 bilhões.
Dúvidas
Entretanto, as dúvidas permaneciam na noite desobre as modalidades da renegociação da dívida, a pouco mais de duas semanas antes do vencimento do atual plano de resgate, em 28 de fevereiro. Se não se comprometer a cumprir as exigências impostas por técnicos da Troica, Atenas não deve receber a última parcela de 7 bilhões de empréstimo, e provavelmente não terá como honrar suas obrigações.
Por isso, respeitar o programa assinado com a Comissão Europeia, o BCE e o FMI é considerado um ponto inegociável pelo Eurogrupo, em nome do respeito ao quadro jurídico europeu.
"Cada país é livre para fazer o que quiser, mas há um programa de ajuda. Ou ele é levado até o fim, ou não haverá mais programa", afirmou Wolfgang Schauble, ministro de Finanças da Alemanha, um dos mais duros defensores da política de austeridade fiscal na Europa.
Reformas. Apesar da resistência alemã, a proposta da Grécia também prevê rever as reformas acordadas com a Troica. Segundo Atenas, 70% das medidas de reforma com as quais os governos anteriores se comprometeram ao assinar os acordos de socorro em 2010 e 2011, que totalizaram 240 bilhões, seriam mantidas. Os 30% restantes são considerados pelo governo do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, como reformas "tóxicas", que prejudicariam a retomada econômica do país.
Essas medidas seriam substituídas por novos cortes decididos não mais por técnicos da Comissão Europeia, do BCE e do FMI, mas pelo próprio governo grego e por experts da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em visita a Atenas, o secretário-geral da organização, Angel Gurria, confirmou a existência de um acordo, anunciado por Tsipras horas antes do início da reunião do Eurogrupo. "A crise produziu baixo crescimento, alto desemprego e a Grécia sofreu muito esses efeitos. Isso produziu desigualdades crescentes e erosão da confiança", disse Gurria.
Diante das divergências que persistem, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, cancelou um pronunciamento previsto para a tarde de ontem, em Bruxelas.
Pressão. Para especialistas ouvidos pelo Estado na Alemanha, o governo de Angela Merkel tende a adaptar sua política diante da pressão crescente contra a austeridade fiscal no sul da Europa, em especial na Grécia e na Espanha. Mas a margem de manobra de Tsipras não é grande.
Para Sylvain Broyer, economista-chefe do banco de investimentos Natixis em Frankfurt, a tendência das negociações é de que não haja corte nas dívidas, como inicialmente era defendido pela Coalizão Radical de Esquerda (Syriza), mas sim extensão do prazo de pagamento, redução de juros e maior flexibilidade no orçamento de Atenas para enfrentar a crise social.
"Países protestantes, como Alemanha, Áustria, Holanda e Finlândia, vão impor uma linha a não ultrapassar, que é o perdão de dívidas. Mas os alemães são pragmáticos e sabem que a situação não é sustentável", entende Broyer. "O reescalonamento da dívida não enfrentará oposição da Alemanha. A tendência é de um compromisso em que todos saem de cabeça erguida."
Mais tempo. Essa também é a visão de Malte Rieth, economista e pesquisador associado do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica (DIW), de Berlim. "A tendência é o prolongamento do prazo de vencimento da dívida, a redução dos juros, algum tempo a mais para reestruturações e reformas", entende.
Rieth, porém, adverte: "Eu não esperaria grandes mudança na política econômica da União Europeia em relação à Grécia".
Nesta quinta-feira, 12, o coordenador do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, deve apresentar um relatório sobre as negociações em curso aos chefes de Estado e de governo na reunião de cúpula da União Europeia, que se estenderá até sexta-feira.


